O principal combustível que impulsiona as
organizações modernas rumo ao sucesso é, sem dúvida nenhuma, a informação.
Frente à avalanche de dados que ingressam a cada instante nas mesmas, relativos
à suas atividades relacionais internas e externas não cabe, aos gestores, outra
alternativa que não seja a de promover um adequado tratamento e seleção dos
mesmos para poder transformá-los em informação que permita sua adequada
compreensão e aproveitamento.
Dados brutos, não significam informação. São
números, palavras, que devem ser organizados, processados e analisados dentro
do contexto em que foram obtidos para serem compreendidos e apreciados como
informação.
Frequentemente nos deparamos com pessoas que, na
ânsia de antecipar-se aos acontecimentos, nos entregam dados brutos, soltos,
muitas vezes sem nexo aparente, pretendendo que sejam entendidos e apreciados
como informação. Essa atitude provoca certamente muito desconforto e às vezes nos
induz ao erro, como consequência de interpretações equivocadas desses dados
brutos, não processados.
Estas reflexões me transportam no tempo, e me
lembram de uma história que me foi contada por um grande executivo, diretor de
uma empresa multinacional, e junto ao qual tive a oportunidade e honra de
trabalhar durante alguns anos da minha juventude. Essa história foi tão
oportunamente colocada que marcou profundamente minha vida, provocando uma
mudança muito positiva na minha forma de proceder.
O João apresentava uma personalidade jovial e
irrequieta, interessado por tudo, perguntava ansiosamente sobre diversos
aspectos do negócio, mostrando curiosidade e querendo informações das
atividades do dia-a-dia.
O Carlos, em contrapartida apresentava-se mais
calado, ouvindo em silêncio as palavras do seu Nonato, o proprietário, atento
aos detalhes e perguntando apenas sobre alguns aspectos da organização.
Ambos encantaram seu Nonato, mas como não era
possível para ele ficar com ambos, foi decidido que haveria uma atividade, cujo
resultado final permitiria decidir quem ficaria com o emprego.
O armazém ficava aproximadamente a 50 metros de uma
estrada de terra. Nesse momento uma tropa de carretas estava passando e seu
Nonato entregou a seguinte tarefa para ambos os candidatos: Verificar
rapidamente de quantas carretas estava composta a tropa.
Ambos os candidatos saíram rapidamente para cumprir
uma missão tão simples, não compreendendo onde estaria a dificuldade. Um minuto
depois, João retornou ofegante dizendo:
- Seu Nonato, foi fácil! São exatamente seis
carretas.
- Obrigado João – respondeu o proprietário,
perguntando a seguir:
- E quantos bois puxam cada carreta?
João, feliz de ter acertado na resposta voltou
correndo até a estrada para cumprir a segunda tarefa. Nessa correria cruzou com
o Carlos que voltava calmamente ao armazém, com um pequeno caderno azul na mão.
Ambos retornaram quase ao mesmo tempo. Seu Nonato
ofereceu uma cadeira a cada um, e perguntou ao Carlos a mesma coisa que tinha
perguntado ao João. Quantas carretas compõem a tropa? Carlos respondeu
calmamente, como era seu estilo: são seis carretas, puxadas por quatro bois
cada uma.
João, ansioso, confirmou:
- É isso mesmo, Seu Nonato. Cada carreta é puxada
por quatro bois
- Perfeito - diz Seu Nonato – Que mais tem a dizer
João?
João, satisfeito respondeu:
- Por enquanto nada mais, Seu Nonato. Porém se
quiser posso ir novamente para verificar qualquer coisa que o senhor desejar.
- Não. Não será necessário – respondeu Seu Nonato.
Dirigindo-se ao Carlos, perguntou:
- E você, Carlos, tem alguma coisa a agregar?
- Sim, Seu Nonato, respondeu abrindo seu caderno
azul e lendo suas anotações. As carretas estão transportando sacas de farinha e
milho, 20 de cada. São para vender no Mercado Central e são propriedades do
senhor Antônio do Vale. Está aproveitando que amanhã haverá uma festa na
cidade, para levar a mercadoria e vende-la. Parece que existe grande demanda
dos produtos e espera obter um preço bom, aproximadamente R$ 50,00 pela saca de
milho e R$ 35,00 pela de farinha. O senhor poderia aproveitar e vender sua
mercadoria também.
- Muito bom Carlos! Excelente relato. O cargo é
seu.
João, não satisfeito com a decisão a questionou,
perguntando para seu Nonato:
- Porque o senhor escolheu o Carlos, que demorou
muito mais que eu para trazer a resposta, e que, além disso, fica dando
opiniões sobre seu negócio?
Seu Nonato, calmamente respondeu: - Precisamente
por isso que você está questionando, João.
O Carlos demorou mais porque ficou recolhendo
outras informações que poderiam ser úteis no futuro, como realmente o foram.
Já, no seu caso, você ficou observando somente aquilo que eu tinha perguntado.
Ou seja, para fornecer as mesmas informações que o Carlos nos brindou, você
deveria ter necessidade de ir e voltar diversas vezes até a tropa de carretas,
o que teria ocasionado uma espera muito maior.
Vemos em João, o modelo dos colaboradores que
colhem dados, em resposta às demandas que lhe são realizadas e os fornecem em
estado bruto.
Já no Carlos identificamos o tipo de colaboradores
que obtém os dados, os registram, os processam e os transformam em informação,
muito mais útil para quem a recebe.
O sucesso de um empreendimento está relacionado com
a forma em que as pessoas tratam as informações que estão disponíveis. E como
apresentam os resultados.
Devemos aprender com o Carlos. Sermos proativos,
nos antecipando aos acontecimentos, para estarmos preparados de forma adequada
aos desafios que nos serão lançados.
Você
pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.
Nenhum comentário:
Postar um comentário