terça-feira, 10 de novembro de 2020

O feixe de lenha

 

Existem diversos exemplos de organizações onde o relacionamento entre o patriarca, geralmente fundador e gestor maior, e seus herdeiros não é favorável a uma transição adequada e construtiva que permita a continuidade e prosperidade dos negócios.

Ciúmes, interesses desencontrados, conflitos pessoais, egos inflados e rivalidade conspiram contra a perpetuação da estrutura organizacional, provocando muitas vezes divisões e rachas que enfraquecem sua solidez e comprometem seu futuro.

Durante uma palestra Clima Organizacional, da qual participei com interesse, foi contada a seguinte história, que considero oportuna reproduzir, embora não tenha maiores informações sobre sua autoria.

 Conta-se que um próspero empresário, dono de muitas propriedades, estava gravemente enfermo. Um assunto que muito lhe preocupava era o clima de desavença que reinava entre seus quatro filhos, herdeiros de sua fortuna. Pensando em dar-lhes uma lição, ele os convocou para fazer-lhes uma revelação importante.

Sentado numa cadeira de balanço, o pai os recebeu carinhosamente na sua casa de campo. Com voz calma, chamou-os para mais perto e comunicou-lhes a seguinte decisão: “Como vocês sabem, estou ficando velho e cansado e creio que não me resta muito tempo de vida. Por isso, vos convoquei aqui para avisá-los que vou deixar todos os meus bens para apenas um de vocês”.

Os filhos, surpresos, entreolharam-se e ouviram em silêncio o restante que o pai tinha para lhes dizer: “Vocês estão vendo aquele feixe de gravetos ali, encostados naquela porta? Àquele que conseguir partir o feixe ao meio, apenas com as mãos, este será meu herdeiro”.

Cada um deles, por sua vez, teve a sua chance de tentar quebrar o feixe, mas nenhum, por mais esforço que fizesse, foi bem sucedido na sua tentativa.

Indignados com o pai, que lhes propusera uma tarefa impossível, começaram a reclamar. Foi quando o fazendeiro pediu o feixe e disse que ele mesmo iria quebrá-lo. Incrédulos, os filhos deram o feixe de gravetos para o pai, que foi retirando, um a um, os gravetos, quebrando-os, separadamente, até não mais restar um único graveto inteiro. E depois concluiu: “Eu não tenho o menor interesse em deixar os meus bens para só um de vocês. Eu quero, na verdade, que vocês, juntos, sejam os sucessores do meu trabalho, com garra, dedicação, e acima de tudo, repleto de amor”

Disse, ainda: “Enquanto permanecerem juntos e unidos, nada poderá pôr em risco aquilo que durante tanto tempo foi construído para vocês. Ninguém poderá quebrá-los. Mas se continuarem a agir de forma individualista e independente, serão facilmente quebrados, pois individualmente, são tão frágeis quanto cada um desses gravetos”.

Sem dúvida, a lição do velho empresário, pode ser aplicada a muitos casos de relacionamento entre patriarcas e herdeiros, e merece, certamente, uma reflexão mais profunda, por parte daqueles que, como consequência dos próprios arroubos da juventude, procuram o sucesso individual e egoísta, desprezando tudo aquilo que foi sedimentado ao longo de anos e mais anos de trabalho e esforço pelas pessoas que deram forma a essa organização que está preste a mudar de comando.

Os interesses pessoais devem, frequentemente, serem postos de lados, em benefício de interesses comuns que, certamente, refletirão em maiores oportunidades e benefícios futuros. Para tanto, é necessário incorporar uma grande dose de humildade aos egos individuais e reconhecer que, de forma análoga aos gravetos, a força decorre da união.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

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