Existem
diversos exemplos de organizações onde o relacionamento entre o patriarca,
geralmente fundador e gestor maior, e seus herdeiros não é favorável a uma
transição adequada e construtiva que permita a continuidade e prosperidade dos
negócios.
Ciúmes,
interesses desencontrados, conflitos pessoais, egos inflados e rivalidade
conspiram contra a perpetuação da estrutura organizacional, provocando muitas
vezes divisões e rachas que enfraquecem sua solidez e comprometem seu futuro.
Durante
uma palestra Clima Organizacional, da qual participei com interesse, foi
contada a seguinte história, que considero oportuna reproduzir, embora não
tenha maiores informações sobre sua autoria.
Sentado
numa cadeira de balanço, o pai os recebeu carinhosamente na sua casa de campo.
Com voz calma, chamou-os para mais perto e comunicou-lhes a seguinte decisão:
“Como vocês sabem, estou ficando velho e cansado e creio que não me resta muito
tempo de vida. Por isso, vos convoquei aqui para avisá-los que vou deixar todos
os meus bens para apenas um de vocês”.
Os
filhos, surpresos, entreolharam-se e ouviram em silêncio o restante que o pai
tinha para lhes dizer: “Vocês estão vendo aquele feixe de gravetos ali,
encostados naquela porta? Àquele que conseguir partir o feixe ao meio, apenas
com as mãos, este será meu herdeiro”.
Cada
um deles, por sua vez, teve a sua chance de tentar quebrar o feixe, mas nenhum,
por mais esforço que fizesse, foi bem sucedido na sua tentativa.
Indignados
com o pai, que lhes propusera uma tarefa impossível, começaram a reclamar. Foi
quando o fazendeiro pediu o feixe e disse que ele mesmo iria quebrá-lo.
Incrédulos, os filhos deram o feixe de gravetos para o pai, que foi retirando,
um a um, os gravetos, quebrando-os, separadamente, até não mais restar um único
graveto inteiro. E depois concluiu: “Eu não tenho o menor interesse em deixar
os meus bens para só um de vocês. Eu quero, na verdade, que vocês, juntos,
sejam os sucessores do meu trabalho, com garra, dedicação, e acima de tudo,
repleto de amor”
Disse,
ainda: “Enquanto permanecerem juntos e unidos, nada poderá pôr em risco aquilo
que durante tanto tempo foi construído para vocês. Ninguém poderá quebrá-los.
Mas se continuarem a agir de forma individualista e independente, serão
facilmente quebrados, pois individualmente, são tão frágeis quanto cada um
desses gravetos”.
Sem
dúvida, a lição do velho empresário, pode ser aplicada a muitos casos de
relacionamento entre patriarcas e herdeiros, e merece, certamente, uma reflexão
mais profunda, por parte daqueles que, como consequência dos próprios arroubos
da juventude, procuram o sucesso individual e egoísta, desprezando tudo aquilo
que foi sedimentado ao longo de anos e mais anos de trabalho e esforço pelas
pessoas que deram forma a essa organização que está preste a mudar de comando.
Os
interesses pessoais devem, frequentemente, serem postos de lados, em benefício
de interesses comuns que, certamente, refletirão em maiores oportunidades e
benefícios futuros. Para tanto, é necessário incorporar uma grande dose de
humildade aos egos individuais e reconhecer que, de forma análoga aos gravetos,
a força decorre da união.
Você
pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.
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