Mostrando postagens com marcador Relacionamento Interpessoal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Relacionamento Interpessoal. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de março de 2022

As palavras, úteis ou fúteis?

 Existem momentos nos quais é necessário parar por alguns instantes para refletir sobre certos acontecimentos que afetam nosso dia a dia e, consequentemente, de uma forma ou de outra, nossa vida. Me refiro ao valor verdadeiro de tudo aquilo que, a cada momento recebemos como informação, através de palavras e mensagens enviados pelos médios de comunicação disponíveis.

Como ponto de partida, me permito retornar um pouco no tempo, até 16 de novembro de 2020, quando publiquei neste blog um texto onde foram tecidos alguns comentários sobre “O poder da palavra”. Traduzimos nossas ideias com os seguintes conceitos, que permanecem atuais:

 

A palavra, como elevada forma de expressar os pensamentos, tem a capacidade de tornar transparentes os sentimentos do ser humano e adotam a cor, o brilho e o sabor das emoções com as quais são proferidas.

Nos aparece encarnada na explosão da ira, celeste nas preces, rosa no canto maternal. Brilhante quando elogia, opaca-se numa calunia. Doce no afago, se azeda na crítica. Amorosa no abraço, sensual na expressão, libidinosa na resposta, assume o papel de mensageiro das emoções.

Possui afiadas bordas que provocam profundas feridas quando proferida de forma insensata, mas pode também, ser portadora do bálsamo delicado que cicatriza os cortes.

A palavra é arma e redenção, é ofensa e compreensão; é instrumento, objeto, recipiente e conteúdo. É poderosa. Marca, deixa rastros. O Ser encarna-se através da palavra, da mesma forma que o Poder e o Querer.

Sendo assim, tão valiosa e volúvel, todos os cuidados possíveis devem ser tomados antes de usá-la. Vale muito mais uma palavra silenciada na esperança de uma reconciliação, que uma torrente verbal avassaladora despejada com ódio no calor de uma disputa. (Pisandelli, 2020) [1]

 As palavras podem estar impregnadas de valor, de significado e relevância. Podem ser comparadas a um vetor de impulso que através de sua ação, proporciona oportunidades de melhoria e crescimento nas relações interpessoais. São aquelas palavras que transportam, no seu seio, energias positivas, boas intenções e sobre tudo um verdadeiro e sincero desejo de crescimento social. São palavras úteis, que acrescentam e constroem. Não há energia negativa, desejo de vingança ou crítica azeda.

Em contrapartida, existem àquelas palavras, que impregnadas de uma seiva amarga e corrosiva queimam, ferem nossos espíritos. Voam como setas agressivas, lançadas para lacerar sem importar as consequências dos seus efeitos. Somente projetam raiva, ressentimento e despeito. São palavras fúteis, que nada constroem nem acrescentam. São ocas, sem importância relevante nem utilidade. Caracterizadas por uma sensação de mágoa, são geradoras de desprazer, de rancor ou de angústia sentida por àqueles que são alvos escolhidos.

Pequena é a diferença entre as expressões úteis e fúteis, mais enorme enquanto ao seu significado. É neste ponto que desejamos chamar para reflexão nosso leitor.

A crítica, quando construtiva e bem intencionada, sempre será útil, bem vinda. As palavras corrigem sem ferir, ajustam sem ofender, sugerem sem lacerar. Uma opinião será sempre bem recebida quando seu objetivo esteja pleno de boas intenções.

Sendo ela destrutiva, agressiva ou debochada, será sempre fútil, irrelevante, sem importância nem utilidade. Estará desprovida de essência, será tola e desnecessária.

Abençoados são todos os médios de comunicação, que encurtam distâncias, que nos permitem estar a par, quase instantaneamente, de tudo àquilo que de bom ou de ruim acontece em nosso mundo. Não tenho nada a criticar sobre o progresso da comunicação. Minha angustia se centra naquelas mensagens fúteis, escritas por pessoas que não se aprofundam nos assuntos, que não param para pensar sobre àquilo que expressam, nem muito menos nos efeitos que suas palavras podem provocar.

Sugiro meditar sobre este assunto e sua importância. A “Caixa de Pandora” foi aberta, e assim permanece há muitos e muitos anos, espalhando todas suas mazelas na humanidade. Porém, e a pesar de tudo, ainda resta a Esperança, solidamente fincada no interior de nossos corações.

Vamos meditar um instante antes de escrever ou enviar qualquer mensagem, informação ou notícia. Vamos tratar de que sejam sempre úteis e jamais fúteis.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

domingo, 25 de abril de 2021

Somente vive quem permanece vivo

 

O medo do desconhecido bloqueia nosso pensamento, nos paralisa, impedindo-nos de fazer escolhas que, frequentemente, podem representar a diferença entre o sucesso e o fracasso, isto é, simbolicamente falando, entre a vida e a morte.[1]

  Em nosso artigo, denominado “Via de porre e via de levare”  consideramos que “Todos nós, como seres humanos, desde a concepção até o último alento, passamos por um processo contínuo de adequação e mudanças, sejam elas orgânicas, psíquicas ou sociais. Vivemos numa permanente construção e aperfeiçoamento do ser, com um objetivo primordial: sobreviver o quanto e o melhor que for possível.”

Quando crianças, sonhamos com a adolescência. As alterações orgânicas mudam nossas atitudes e desejos. Passamos a renegar o passado: “Não sou mais criança...” é frase repetida mil vezes. A vontade de correr supera a força de nossas pernas. A curiosidade se transforma em desafios que nem sempre estamos dispostos a enfrentar. O desejo nos inflama. As múltiplas quedas, aparam as arestas. Nossos corpos e nossas mentes, são dolorosamente ajustados até se transformarem em poderosos e jovens adultos. Avançamos a cada dia, nos apaixonamos, casamos, temos filhos e nossos filhos, retomam os sonhos das crianças. A vida, não tem retornos. Somente é possível avançar.

De forma análoga a uma pintura de alta complexidade artística, o homem desenvolve sua estrutura bio-psico-social por via de porre através do agregado de sucessivas camadas de conhecimentos, experiências e relacionamentos que, a cada instante, são incorporadas como resultante do processo de aprendizado contínuo ao qual estamos permanentemente submetidos. Tintas e cores aplicados ao longo da vida por múltiplos e diferentes artistas: pais, mestres, parentes, amigos, esposos, filhos, netos, enfim, todos e cada um daqueles que em algum momento interagem ou se cruzam em nosso caminho. Essa obra fica, a cada dia, mais perto do seu acabamento final, que coincide com o momento de nossa despedida[2].

A vida é uma construção permanente, porém, para continuar vivos se faz necessário remover obstáculos que bloqueiam a passagem das estruturas que a suportam. É necessário arrancar, por via de levare, na força do martelo e do cinzel, aquelas camadas que nos sufocam e nos aprisionam dentro de um bloco rígido. Não podemos permitir que o medo nos paralise, que o amargo nos envenene ou que o silêncio nos afaste da alegria de viver. Por trás dessas camadas grosseiras, dos cabelos grisalhos ou da pele sem viso, poderemos descobrir a figura suave, brilhante e formosa que permanece escondida no bloco sólido de nossa alma. O ser humano se modela a cada instante, seja por via de porre ou por via de levare. Na suavidade do pincel que dá os tons multicoloridos a nosso ser, ou na força do cinzel e do martelo, arrancando de nós a rigidez da pedra que sufoca nossos sentimentos e nossa alma.

Sigmund Freud disse que o inconsciente é algo que fica escondido em cada um, mas que se manifesta sem sabermos nos comportamentos. Ao ter outras prioridades que não seja você, a mensagem que fica registrada é que você não é tão importante, que não tem tanto valor e que os outros são mais relevantes e dignos da sua atenção e você vira uma personagem secundária na própria vida.
E isso reforça a mensagem de não ser capaz nem do básico por si mesma, cultiva o não merecimento, a insegurança, o autoabandono que provoca um vazio interior, que gera uma ferida na qual nada é capaz de suprir, tendo isso repercutido em todas as áreas da vida.
A pessoa sofre, se envolve em relacionamentos ruins, adquire hábitos compulsivos como comprar muitas roupas sem necessidade por exemplo, em busca de refúgio.[3]

A todo instante e independentemente de nosso tempo de permanência, vulgarmente conhecido como “idade”, somos fortemente influenciados pelas fantasias, sem percebermos que por elas estamos sendo controlados. Inconformados pelos fios grisalhos de nossos cabelos, os pintamos de forma nem sempre harmoniosa, seguindo a “tendência atual e retomando o viso da juventude”, sem aceitar que os fios permanecem brancos na sua essência. Utilizamos cremes milagrosas a base de produtos instantaneamente rejuvenescedores para eliminar rugas na pele, sem perceber que que a pele permanece a mesma.  Adquirimos roupas multicoloridas, modernas e juvenis, fazemos cirurgias plásticas, implantamos bolsas de silicone, fazemos lipos e modelagens procurando um rejuvenescimento impossível. [...]Não aceitamos o passar do tempo. Não reconhecemos a vida como ela é.

Não nos aceitamos como realmente somos. Não sentimos orgulho de “ser”. Somos impelidos pelas nossas fantasias a “parecer”, a sermos eternamente jovens, bonitos, fortes e poderosos, superiores. [...] sou totalmente a favor de cuidar de nossa aparência, de nosso modo de vida, da alegria de viver. De ficar “bonitos” para nós e para àqueles que amamos. [...]As marcas do tempo, devem servir como sinais de maturidade, experiencia e sabedoria. Somos o que somos, jamais o que parecemos.

As fantasias devem, sim, ocupar um espaço em nossas vidas, pois alimentam os sonhos e estimulam nossas caminhadas. Podem compartilhar nosso mundo. São benvindas.

O que não podemos é viver no mundo da fantasia. Jamais devem nos dominar e controlar nossos pensamentos, sob o risco de sermos transformados em marionetes, sem vida própria. Devemos aceitar a beleza real, a que nos identifica, àquela que possuímos em nossos corações. Não devemos vestir uma roupa para parecer jovens, mas devemos vesti-la para mostrar que permanecemos jovens, alegres, e orgulhosos de sermos bonitos. É necessário viver a vida, da forma que ela realmente é. Não é a idade que nos torna amargos. São nossas escolhas erradas. Não podemos aceitar o papel de coadjuvantes de nossa própria vida. É necessário sermos permanentes protagonistas. Nossas atitudes devem ser proativas. Nossa prioridade deve estar centrada em nossa felicidade. Devemos viver, para continuar vivos.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

 



[1] https://spisandelli.blogspot.com/2020/11/medo-do-desconhecido.html

[2] http://spisandelli.blogspot.com/2020/11/via-di-porre-e-via-di-levare.html

[3] Ana Carolina Rodrigues. https://www.instagram.com/p/CNvqskdBFsT/

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Não haverá segunda vez

Não somente no Brasil, mas em todos os recantos do planeta existem milhares de pessoas que adotam uma posição negacionista comum frente as incontestáveis evidências que comprovam, pela ciência e pela evidência, que o vírus que provocou a pandemia mata pessoas. Em pensamento convergente, incorporam-se a estes sujeitos àqueles que enxergam uma conspiração maliciosa na adoção de medidas estatais para enfrentar os efeitos do Coronavirus assim como outros que contestam, a eficácia das vacinas, o aquecimento global, e outros temas por demais conhecidos.

Multidões de jovens, e não tão jovens, mostram-se incapazes de submeter-se a determinações restritivas das liberdades sociais, não pelo fato de serem inconsequentes, imprudentes, irresponsáveis ou levianos (tanto faz uma definição ou outra), mas como resultado de uma clara postura de denegação (ou renegação).

Contrariamente ao que muitas pessoas pensam, a denegação não significa rejeitar ou negar um determinado fato ou situação. Renegar refere-se à recusa da percepção de uma evidência que se impõe no mundo exterior. É a evidência objetiva daquilo que está reprimido no inconsciente do sujeito.

Na denegação impõe-se um não explícito em contraposição a um sim reprimido. Devemos observar que um renegado, não afirma que uma determinada situação não existe, mas sua atitude está em contraposição a essa situação real. A terra é uma bola, porém minha posição está fincada no terraplanismo. Há evidências da esfericidade, porém defenderei a topologia plana.

Ao renegar das evidências aceito, inconscientemente, que a mesma existe. Sua atitude provoca uma profunda clivagem no seu comportamento: sabe da existência de um iminente perigo; a sua percepção do mesmo é concreta, porém, seu comportamento e suas atitudes o negam.

“O fumo mata milhões de pessoas, sei disso, porém, continuo fumando pois me traz prazer”.

Negar a pandemia e seus efeitos passa pela afirmação de que a mesma não existe, que é criação de indivíduos mal intencionados.

Mas como sustentar isso, frente ao caos instalado?

Não há como negar sua existência, rejeitar o óbvio, mostrado de forma permanente e continuada pelos diversos canais de comunicação de massa ao redor do mundo. O mundo em si, a própria humanidade, está frente a um perigo explicito, concreto e generalizado, que dificilmente encontra paralelo na história.

Àquele que denega esconde, nessa negativa, seu medo. Sua postura negacionista, mascara seu temor nas suas atitudes desafiadoras. Projeta, sobre si, uma imagem de força que no seu foro íntimo, não possui. Veste as roupas de super-herói sobre uma estrutura psíquica abalada pelo temor. Não há registros de experiências anteriores no seu subconsciente capazes de sinalizar o perigo de forma consistente. A realidade é visualizada como videogame. Uma realidade “virtual”, onde a vítima é “o outro”. Na sua percepção, os mortos não são seres humanos, mas escores registrados nos contadores estatísticos mostrados em gráficos coloridos e tabelas organizadas nas telas de altíssima definição dos aparelhos eletrônicos.

Existe uma dualidade de opiniões que se contrapõem permanentemente e exercem uma enorme pressão psíquica sobre esses sujeitos. A visão sanitarista, que conclama a população a se proteger, é permanentemente descontruída pela visão economista, que projeta imagens do desastre social resultante do fechamento das fontes de renda tais como comércio, indústria, escolas e similares. A desconstrução da realidade através dos mecanismos de distorção da informação, provocam um efeito de refração da verdade. Aquilo que percebemos não é real. A imagem real está deformada, e essa visão promove mecanismos psíquicos de rejeição dessa realidade.

“Nada irá me acontecer, milhares de pessoas pegaram uma simples gripe, os jogadores do meu time pegaram, passaram 10 dias em casa e estão jogando de novo...”

Frente a uma notícia desfavorável, que ofende ou compromete sua realidade, preferem matar o mensageiro e ignorar os perigos com que a realidade se apresenta.

Nem todas as pessoas reagem desta forma. Há aquelas que mergulham em depressão, aproveitando a oportunidade para se isolar do mundo. Outras são tomadas por angustias indescritíveis ou adotam posturas obsessivas de isolamento e bloqueio, transformando os necessários cuidados em rituais obsessivos de lavagem de mãos, utilização de álcool gel e máscaras protetoras, numa ação de permanente purificação e constrição, querendo se livrar de uma suposta culpabilidade frente ao perigo de serem contaminados. Indiscutivelmente, o ser humano, seja jovem ou maduro, deve conviver continuamente com níveis de insegurança ou incerteza decorrentes do cotidiano. Nada é totalmente seguro nem absolutamente perigoso. Sempre houve e haverá, em diferentes níveis, riscos a serem corridos. Porém, nas atuais circunstâncias, certamente os riscos ultrapassam todos os limites de segurança que possamos estabelecer. Ninguém está livre deles. Podemos, eventualmente, assumir riscos potencialmente menores, ao realizar certas atividades necessárias, atendendo todas as regras de proteção. Fazer compras em um supermercado ou numa farmácia, por exemplo. Faz parte das regras do jogo. Porém, ao participar com dezenas ou centenas de pessoas de uma balada, em um ambiente fechado, compartilhando espaços e utensílios com “conhecidos” ou “desconhecidos”, certamente não estaremos assumindo riscos potencialmente menores, mas jogando a roleta russa com uma arma carregada com 5 balas no tambor, de seis possíveis. Estamos sendo controlados por um mecanismo de massificação, onde as atitudes são adotadas pela identificação com “o outro”.

“Se meus amigos podem, eu posso. Se eles fazem, eu acompanho.”

Perde-se a singularidade racional no coletivo emocional. Não há individualidade de pensamento, avaliação de riscos, receio das consequências.

Marcha-se de forma anestesiada em direção ao caldeirão, sorrindo e desprezando todos os sinais de alerta. Caminha-se em direção ao inimigo, de peito aberto, sorrindo desafiante, na certeza de que nenhum projetil os abaterá.

Não haverá segunda vez. O fogo inimigo é cerrado e altamente eficiente. Só existe alternativa, se aceitamos permanecer na trincheira. Em silêncio. Aguardando pacientemente a luz do sol.          

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Juízo de fato e juízo de valor

 Ao olhar pela janela e dissermos: “Hoje faz sol” descrevemos um acontecimento que está sendo constatado por nós. Estamos nos referindo a uma percepção objetiva evidenciada por nossos sentidos. Proferimos, nestas circunstâncias, um juízo de fato.

Se, a seguir, comentamos que “O sol é benéfico para as plantas e para nossa saúde” estaremos realizando uma interpretação e avaliação subjetiva desse acontecimento. Com este comentário estaremos realizando um juízo de valor daquele evento.

 

“Juízos de fato são aqueles que dizem que algo é ou existe, e que dizem o que, nas coisas são, como são e por que são. Em nossa vida cotidiana, mas também na metafísica e nas ciências, os juízos de fato estão presentes. Diferentemente deles, os juízos de valor são avaliações sobre coisas, pessoas, situações e são proferidos na moral, nas artes, na política, na religião. Juízos de valor avaliam coisas, pessoas, ações, experiências, acontecimentos, sentimentos, estados de espírito, intenções e decisões como bons ou maus, desejáveis e indesejáveis. Juízos de valor não se contentam em dizer que algo é ou como algo é, mas se referem ao que algo deve ser. Dessa perspectiva, os juízos morais de valor são normativos, isto é, enunciam normas que dizem como devem ser os bons sentimentos, as boas intenções e as boas ações, e como devem ser as decisões e ações livres. Em outras palavras, são normas que determinam o dever ser de nossos sentimentos, nossos atos, nossos comportamentos. São por isso juízos que enunciam obrigações e avaliam intenções e ações segundo o critério do correto ou incorreto.  (Chauí, Marilena, 2003, p.307)”.   

 

Não é muito difícil emitir um “Juízo de fato” em nosso cotidiano. Na realidade, é isso que fazemos continuamente, como resultado de nossa percepção da realidade e da avaliação permanente do entorno em que vivemos. Essa percepção objetiva de um fato é uma forma de interação entre o indivíduo e o meio. Serve, muitas vezes, como sinal de alerta frente a uma eventual situação de perigo. Identificar um piso molhado acende o sinal de alerta: “Cuidado, podemos escorregar”. Simples assim. Vivemos imersos em permanentes “juízos de fato” e “juízos de valor”, e assim continuamos percorrendo nosso caminho.

O quadro começa a mudar sua tonalidade, quando essa percepção objetiva do fato, migra para uma interpretação e avaliação subjetiva do mesmo. A situação de perigo: “piso molhado” (juízo de fato), se alterna para: “alguém molhou o piso” (juízo de valor). A introdução de um sujeito pronominal indefinido, estabelece uma culpabilidade subjetiva. Há um responsável por isso, alguém deve assumir sua culpa. Se “eu” escorregar, será por obra e arte da irresponsabilidade do “outro” que molhou o piso. Haverá uma interpretação e avaliação subjetiva do fato, um “juízo de valor”. Incorporamos uma intencionalidade ao evento, que pode ou não ser real. O piso molhado pode ser consequência de uma eventual infiltração que permite a entrada de água da chuva, simples assim, impessoal, circunstancial, sem objetivo premeditado. Porém, nós alteramos a cena. Colocamos um sujeito virtual nela. Esse “outro”, é o inominável, àquele que não sou “eu”. Há um responsável. Existe, e deverá ser identificado! Nosso juízo de valor está completo! Encontramos um responsável, um culpado: o outro.

No post “O poder dos outros”[1] destacamos a força e o poder que “os outros” exercem em nossa vida:


Que força poderosa possuem os outros! Que capacidade destrutiva tem nas suas mãos! De que forma covarde nos agridem e ofendem, a cada instante! De que forma ladina e mal-intencionada nos roubam, arrebatam nossos sonhos, destroem nossas esperanças! É impossível ser feliz, viver em paz, construir nosso futuro, por culpa dos outros que interferem em nossos sonhos, derrubando as paredes que construímos com tanto esforço! Vivemos num verdadeiro inferno por culpa dos outros. Somente há uma coisa que não podemos esquecer: Para os outros, o outro somos nós! 

 

Deixamos aqui um sinal de alerta, sobre nossa incrível capacidade de realizar “Juízos de valor” viciados por uma interpretação subjetiva e egoísta da realidade, com o único desejo de culpar o outro, por aquilo que nos afeta negativamente. Em nossos julgamentos, maculados pelo egoísmo, não procuramos encontrar soluções para as mazelas que nos afligem, mas identificar àqueles que consideramos culpados por elas. Essa atitude se voltara contra nós. Haverá um preço a ser pago por ela, que nem sempre estaremos dispostos ou poderemos pagar.


Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

 

Bibliografia:

 

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. [Livro do Professor] – 13ª edição, 1ª impressão. São Paulo, Editora Ática,2003,

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

A hipocrisia no discurso

Antes de falarmos sobre a hipocrisia no discurso, me permito relatar um acontecimento histórico que certamente marcou um verdadeiro ponto de inflexão no desenvolvimento da humanidade, a qual teve, na sua evolução, momentos nos quais paradigmas solidamente enraizados foram substituídos por outros radicalmente diferentes.

A teoria Geocêntrica, postulada pelo astrônomo grego Claudio Ptolomeu (100 – 168) no início da Era Cristã, foi conceitualmente defendida em seu livro intitulado “Almagesto”. Ptolomeu, como resultado da observação do movimento dos astros no céu, concluiu que a Terra está posicionada no centro do Sistema Solar, e consequentemente os demais astros orbitariam ao redor dela, fixados sobre esferas concêntricas que girariam com diferentes velocidades. O Geocentrismo foi intensamente defendido pela Igreja Católica, pois apresentava diversos aspectos de passagens bíblicas, sendo chamados de hereges, e muitas vezes queimados em fogueiras, aqueles que dela discordavam.

Quatorze séculos se passaram (1.400 anos!), até que essa teoria Geocêntrica fosse contestada pelo matemático e astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473 – 1543), que propôs uma outra estrutura do Sistema Solar, o Heliocentrismo. Nesta nova, e revolucionária concepção, Copérnico postula que a Terra e os demais planetas se movem ao redor do Sol, sendo este, o verdadeiro centro do Sistema Solar. A sucessão de dias e noites é uma consequência do movimento de rotação da Terra sobre seu próprio eixo. Este modelo (denominado de sistema copernicano), não foi aceito pela Igreja Católica, que adotava a teoria do Geocentrismo, elaborada por Ptolomeu. A Igreja Católica incluiu o livro “Das Revoluções dos Corpos Celestes”, onde Copérnico descrevia sua teoria, no Índex – a lista dos livros proibidos por heresia. O dogmatismo da igreja era tão forte, que questionar a perfeição divina era realmente uma atitude extremamente perigosa, para integridade pessoal.

O astrônomo Galileo Galilei (1564-1642), através de suas observações, foi o primeiro cientista a comprovar, de forma objetiva, que o sistema heliocêntrico de Copérnico estava solidamente fundamentado. Não obstante, em 1633, sob ameaça de excomunhão e morte pela Santa Inquisição, teve que negar formalmente as suas descobertas permanecendo suas convicções inabaladas[1]. 150 anos após a morte de Copérnico, o físico e matemático Isaac Newton (1642-1727) desenvolveu uma base cientifica, baseada em princípios fundamentais da física, para a gravitação dos planetas ao redor do Sol. Foi a comprovação definitiva do heliocentrismo. Apesar de ser comprovada de forma conclusiva, a teoria elaborada por Copérnico só viria a ser aceita pelo Vaticano em 1835, quando o papa Gregório XVI admitiu, e corrigiu, o erro dos seus antecessores. 300 anos se passaram até que a obra “Das Revoluções dos Corpos Celestes” fora retirada da lista dos livros censurados pela Santa Sé.

Este exemplo, extraído da história, está sendo utilizado por mim, não como crítica à Igreja Católica, nem aos Papas. Isso não vem ao caso nem é minha intenção. O objetivo é mostrar que, assim como esta, milhares de outras diversas situações, permeiam a humanidade, contaminando o verdadeiro saber e distorcendo a realidade dos fatos, com discursos falsos e negacionistas, que passam a ser aceitos como verdades incontestáveis.

É o discurso hipócrita, aquele que é afetado por um sentimento louvável que não se tem, que estabelece uma falsa devoção a princípios etéreos, sem sustentação sólida. Construído sobre uma coletânea de ideias e expressões recheadas de imposturas, fingimentos, simulação e falsidades. Verdadeira demonstração de virtudes ou evidências, inexistentes ou antagonistas daquelas que realmente permeiam os sentimentos.

O discurso hipócrita não é casual na sua origem. Está fundamentado na intencionalidade da ação e tem como objetivo distorcer a verdade, enganar, confundir, criar uma realidade paralela, negar a evidência dos fatos, que são substituídos por falsas e distorcidas imagens e afirmações. Esse negacionismo cria suas raízes na fertilidade propiciada pela ignorância do sujeito. Assim se sustenta, e desenvolve seus tentáculos inoculando seu veneno, subtraindo a capacidade de pensar.

Os venenos existem desde os primórdios da existência, e com muita dor e sofrimento, as pessoas aprenderam a reconhece-los e evita-los. Não são perigosos quando usados com sabedoria e bom senso. São úteis e necessários para a própria sobrevivência do ser humano. Antídotos foram descobertos e são utilizados para neutralizar seus efeitos.

O discurso hipócrita, é um poderoso veneno que possui a capacidade de subjugar as pessoas, dominar suas ações e controlar seu pensamento. Traz, na sua essência uma imensa energia subliminal, que direciona, aglutina e comanda. É mutante, adaptativo, maleável. Não existe antídoto para ele.

Há duas opções para enfrenta-lo:

A primeira consiste em despreza-lo em favor da verdade, abrindo os olhos a realidade objetiva, rejeitando radicalmente suas propostas e afirmações, arrancar suas raízes e destruir seus frutos e sementes.

A segunda é aceita-lo, e penetrar de mãos dadas na tenebrosa caverna do obscurantismo, dentro da qual dificilmente encontraremos, o caminho de retorno, correndo o risco de permanecer na penumbra para sempre.

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.



[1] e pur si muove” é uma locução italiana que significa: “e, contudo, ela move-se!" Esta frase foi pronunciada por Galileu depois de haver sido obrigado pelo Santo Ofício a abjurar da pretendida heresia de que a Terra gira no espaço sobre ele mesma, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008 - 2020  https://dicionario.priberam.org/e%20pur%20si%20muove [consultado em 24-12-2020].

 

sábado, 21 de novembro de 2020

Pessoas tóxicas: O amigo derrotista

Quando jovens, eram dois amigos inseparáveis. Projetos, sonhos e aventuras faziam parte do dia-a-dia de ambos. Tudo era possível. Não havia barreiras intransponíveis. As metas eram ambiciosas, os caminhos retos e lisos. Mas a realidade cobrou seu preço. As coisas não saíram como esperado. Muitas esperanças se diluíram, perderam a cor do sucesso e alguns prejuízos chegaram a reduzir a capacidade de crescer. Os caminhos divergiram e tomaram rumos diferentes. A pesar de tudo, seus sonhos permanecem vivos, existem, no seu âmago, objetivos a espera de serem alcançados. Sua vontade de lutar, crescer e ser bem sucedido continuam lhe impulsionando e alimentando essa chama acessa dentro do seu coração.

Não podemos dizer a mesma coisa do seu amigo. Hoje, não mais está do seu lado. Ele jogou a toalha. Os sonhos, são agora, para ele, pesadelos. Sua visão é turva, cinzenta, sem brilho. Só consegue enxergar dificuldades, barreiras, pedras no caminho. Nada pode dar certo para ele. É uma pessoa amargurada, que só consegue ver as dificuldades em àquilo que pode ser feito. Transmite insegurança nas suas palavras, semeia dúvidas. Transformou-se numa pessoa tóxica. Que contamina os sonhos, que envenena nossa alegria de viver, de lutar. Ele pode, até lhe convencer de que o risco a correr não vale a pena, que é melhor desistir agora, para não se arrepender depois.    

Não estamos falando de alguém que, com bom senso, nos alerta de eventuais perigos. Essa pessoa sempre é bem-vinda. Estamos falando daquele que se dizendo nosso amigo, nos bloqueia, nos inunda de sentimentos derrotistas, negativos, que rouba nossa energia, que permanece na zona de conforto e nos arrasta para a inação.

É necessário afastar essa amizade tóxica da sua vida. Não permita que esse negativismo permeie seu pensamento. Não compartilhe seus sonhos com ele, pois correrá o risco de vê-los transformados em cinzas, que, junto com sua alegria e esperança se perderão no horizonte nebuloso do fracasso. Continue sozinho, lutando, sonhando. O sucesso estará do seu lado. A vida nos cobra seu preço. Para ter sucesso, é necessário pagar para ver.

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Ambição ou ganância?

 Refletindo sobre um evento acontecido dias atrás, envolvendo uma figura conhecida nacionalmente, que não interessa identificar, por motivos óbvios, lembrei de alguns comentários tecidos a respeito. Alguns deles, se referiam a essa pessoa como sendo ambiciosa. Outros, em câmbio, a qualificavam como gananciosa.

Frequentemente estas palavras são tomadas, de forma errônea, como sinônimos. Não são. Embora possam, em uma primeira interpretação, serem assim consideradas, ambas se referem a coisas muito diferentes.

Vamos começar pela palavra ambição. O dicionário Aurélio[1] a define como: Desejo veemente de alcançar aquilo que valoriza os bens materiais ou o amor-próprio (poder, glória, riqueza, posição social, etc.).

Já a palavra ganância, é definida no mesmo dicionário como: Ambição de ganho. Ambição desmedida.

Então, ambição e ganância significam, de acordo com o dicionário, a mesma coisa! Novamente não. A diferença essencial está nos objetivos, na qualidade e na intensidade das ações.

Ambição é uma palavra que deriva da expressão latina “ambire”, que quer dizer “mover-se com liberdade”. Uma pessoa com “ambire” está determinada a procurar seu destino com liberdade, estabelecer e seguir seus próprios caminhos, possuir uma vontade real e genuína de obter sucesso e alcançar seus objetivos, lutando com energia para tanto. A ambição leva essa pessoa a ser proativa, tomar a iniciativa nas suas ações, ser criativa, sonhadora. O ambicioso tem o desejo de mudar o mundo, tudo se apresenta possível para ele. Sabendo da existência de riscos, os assume corajosamente. Ser ambicioso não é ser egoísta ou egocêntrico. É possuir a capacidade de arriscar e enfrentar os obstáculos, embora correndo o risco de nem sempre se dar bem.

Já a ganância, tem uma relação direta com um forte sentimento de cobiça, de avidez, de avareza. Explicita um desejo de obter ganhos extremos, exorbitantes. Traduz um desejo de possuir mais, de receber mais, de atesourar tudo àquilo que for possível, e até mais.

A ganância é fortemente egoísta, fruto de um sentimento egocêntrico de ter mais que os outros, de insatisfação recorrente. Não basta ter muito, é necessário ter tudo, o que é de direito e àquilo que é dos outros.

Quem é ambicioso, quer sempre melhorar, possuir mais, ficar em evidência. Porém conhece e respeita os limites e os valores éticos e morais. Não abre mão da honestidade das ações para alcançar seus objetivos. Não falta com a palavra empenhada. Evita prejudicar os outros. Não fere pessoas ou animais, preserva seu habitat. Sabe, de forma clara e consciente que forma parte dele, e dele precisa para usufruir dos seus ganhos.

O ganancioso, pelo contrário passará por cima de todos e de tudo, para conseguir seus objetivos a qualquer custo, sem respeitar limites éticos ou morais.

As ações e atitudes diferenciam as pessoas ambiciosas das gananciosas. As vezes evidenciadas de forma clara, outras nem tanto. Não há problemas em sermos ambiciosos ao traçar nossos objetivos e metas. Desta forma obteremos ganhos sólidos e consistentes. Seremos sempre respeitados e elogiados, contrariamente àqueles que escolhem a ganância como meio de vida.

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

 



[1] 5ª. Edição do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. ©2010, Regis Ltda. (Versão eletrônica).

Os requisitos do cliente

 Contrariamente ao que frequentemente é propalado, as organizações não devem ser criadas para “deixar clientes satisfeitos”. Os clientes devem, naturalmente, ficar satisfeitos como consequência do atendimento aos seus requisitos, e quando possível, pela superação deles. Para conseguir esse objetivo devemos:

 a) Avaliar se nossa organização tem condições e está disponível para atender o pedido do cliente.

b) Verificar, sempre com antecedência, a existência dos requisitos especificados pelos clientes e tomar conhecimento detalhado deles. Devemos incluir sempre àqueles requisitos técnicos, de qualidade, para entrega e, eventualmente para atividades pós-entrega, tais como: tipo, tamanho, modelo, cor, quantidade, embalagem, prazos e locais de entrega, tipo de transporte e fretes. Devem ser considerados ainda os cuidados especiais no manuseio, armazenamento e montagem, os testes de instalação e funcionamento requeridos, o treinamento de usuários, regras de manutenção, suporte técnico e obtenção de peças de reposição assim como outros que se fizerem necessários.

c) Não se pode deixar de identificar claramente a eventual existência de requisitos não declarados pelo cliente, mas necessários para o uso adequado do produto adquirido, tais como: voltagem, tamanho para passagem por portas, peso para elevação, existência de facilidades de armazenamento temporário, e assim por diante.

d) Verificar a eventual existência de requisitos específicos tais como: Leis, portarias, normas, decretos, regulamentos, relacionados ao produto, ao processo de entrega, transporte e recebimento.

e) Verificar a possível existência de qualquer outro requisito adicional que eventualmente possa ter passado despercebido.

f) Em caso de eventuais dúvidas, os esclarecimentos a serem resolvidos de forma direta ou legal, devem ser solicitados com tempo hábil suficiente para serem resolvidos antes da data de entrega.

Todos os requisitos relacionados ao produto devem ser analisados de forma criteriosa antes de ser assumido qualquer compromisso de fornecimento (por exemplo, antes da apresentação de propostas ou da aceitação de pedidos ou   alterações) para, dessa forma, evitar paralisações, retardamentos ou possíveis falhas no atendimento.

Ao procedermos desta forma estaremos assegurando que haverá uma real capacidade da organização fornecedora para atender aos requisitos definidos pelo cliente.

Quando o cliente não nos fornece um documento onde os requisitos estejam definidos de forma específica, os mesmos devem ser confirmados junto ao cliente antes de serem aceitos. Quando estes forem alterados, é necessário que os documentos pertinentes sejam complementados e/ou modificados e que o pessoal envolvido seja alertado a tempo sobre essa alteração.

Satisfazer os requisitos do cliente, não significa acatar a eventual volubilidade dos seus desejos, mas atender aquilo que foi acordado, de forma a ganhar sua confiança, na certeza de que não haverá surpresas desagradáveis e inesperadas.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

Promoções e atitudes

 Frequentemente, excelentes profissionais são preteridos ou desconsiderados ao surgirem oportunidades de promoção e crescimento dentro de uma organização à qual estão ligados. As causas desse tipo de atitude, geralmente adotada pela Alta Administração, nem sempre são explicadas claramente. Na realidade, muitas vezes nem existe uma verdadeira causa explícita, mas um conjunto de fatores que terminam prejudicando essas pessoas e impedem seu progresso.

Certos tipos de comportamentos ou posturas adotadas durante o relacionamento do dia-a-dia podem-se transformar em fatores decisivos na hora da escolha. Muitos deles podem parecer bobagens sem importância, e às vezes, realmente o são, mas ao se repetirem, com certa frequência, passam a transformar-se em fatores determinantes no intercurso de uma avaliação mais cuidadosa. Diversos pontos são analisados e levados em conta por gestores e pessoas responsáveis por indicações dentro das empresas. É de extrema importância prestar atenção a esses detalhes e parar por um instante para fazer uma reflexão e uma autoanálise.

Considerar-se injustiçado durante uma oportunidade de promoção, é um direito que as pessoas têm, mas será que existe algum fator que está sendo levado em consideração e que não está sendo percebido na sua real dimensão?

Avalie se os questionamentos a seguir, lhe alcançam de alguma forma:

-  Os horários de trabalho estabelecidos são respeitados por você, evitando ao máximo qualquer tipo de atraso?

-  Sua forma de vestir e sua aparência, em geral, estão de acordo com as normas estabelecidas pela organização?

-  Você fica utilizando as facilidades da organização tais como telefone, Internet, computador, carro e outros similares para benefício próprio?

-  Sua opinião diverge de sua ação?

-  Promete retorno aos clientes que não se concretiza?

-  Frente a uma situação de crise ou conflito, fica no muro sem adotar uma postura firme?

-  Fica saindo do seu posto de trabalho com frequência, para ir ao banheiro, fumar, lanchar, relaxar, e assim por diante?

-  Não perde uma fofoca no seu ambiente de trabalho?

-  Trata seus colegas de hierarquia inferior com desprezo ou rispidamente?

-  Quando lhe é solicitado um esforço adicional, apresenta uma boa desculpa para safar-se?

-  Quando comete um erro coloca sempre as causas nos outros?

Se reconhece nas situações acima algum tipo de deslize que talvez possa estar cometendo, procure mudar. Quiçá, na próxima vez, sua avaliação seja melhor, e a sonhada promoção seja uma realidade.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

Relacionamento e convivência no trabalho

 Com frequência, aqueles profissionais que possuem as características próprias das pessoas predestinadas ao sucesso, são rotulados como arrogantes ou grosseiros por alguns gestores e até, pelos próprios colegas de trabalho. Embora existam pessoas que realmente mereçam vestir a carapuça, nem sempre isso é verdadeiro.

Essas pessoas, devido ao seu próprio desenvolvimento intelectual, não prestam atenção a pequenos detalhes de relacionamento, que terminam, no dia-a-dia, lhes prejudicando seriamente. Muitos deles, não percebem que algumas de suas atitudes provocam desconforto ou desagrado em outras pessoas, simplesmente porque essas atitudes são involuntárias, não mal intencionadas.

Um dos grandes desafios a serem vencidos, quando se procura o sucesso em uma carreira profissional, é o de conseguir que o relacionamento com os colegas de trabalho se desenvolva em harmonia e dentro de padrões de convivência regularmente aceitos por eles. Isso não significa ser “bonzinho” com todo mundo, ou aceitar as coisas erradas com um sorriso no rosto.

A verdadeira base de um relacionamento adequado, para obter uma convivência duradoura, está em cuidar de pequenos detalhes que colaboram para transformar esse convívio em uma coisa agradável e duradoura. Existem pessoas que conseguem se relacionar de forma harmoniosa com todos, mas para outras, essa relação é um pesadelo e cheio de grandes dificuldades, a serem superadas a cada instante.

Isso é um grave problema, pois a boa convivência é de fundamental importância para quem quer ser bem sucedido. Surge um questionamento importante:

É possível conviver bem com qualquer pessoa?

Nem sempre. Não obstante, se cuidarmos de alguns detalhes, essa tarefa pode ser infinitamente mais leve:

-  Não participe, nem seja fonte de fofocas relacionadas com as pessoas que formam parte do seu grupo de trabalho.

-  Saiba separar sua vida particular da profissional. Não conte seus segredos nem suas magoas particulares no ambiente de trabalho.

-  Não rotule nem julgue as pessoas, para evitar ser julgado e rotulado.

-  Esteja sempre disposto a ajudar as pessoas, não negando sua participação nem se omitindo.

-  Cumprimente as pessoas com carinho e respeito, sem por isso ultrapassar limites pessoais.

-  Não se preocupe com a vida alheia e cuide dos seus assuntos com o necessário sigilo e discrição, para evitar que os outros se preocupem com sua vida.

-  Sempre dê atenção às pessoas que lhe procuram, independentemente de serem agradáveis ou não, ou do cargo ou da hierarquia que possuem.

-  Viva sua vida, faça seu trabalho e deixe os outros viverem suas vidas e fazerem seus trabalhos.

-  Ajude as pessoas, sempre que lhe é solicitado.

-  Seja sempre um bom profissional, e não despreze aquelas pessoas que possuem menos conhecimento ou experiência que você.

É preciso ser muito cuidadoso e disciplinado para agir desta forma, porém certamente os resultados serão muito gratificantes e estarão colaborando para tornar seu ambiente de trabalho agradável e muito produtivo.

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.