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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Relacionamento e convivência no trabalho

 Com frequência, aqueles profissionais que possuem as características próprias das pessoas predestinadas ao sucesso, são rotulados como arrogantes ou grosseiros por alguns gestores e até, pelos próprios colegas de trabalho. Embora existam pessoas que realmente mereçam vestir a carapuça, nem sempre isso é verdadeiro.

Essas pessoas, devido ao seu próprio desenvolvimento intelectual, não prestam atenção a pequenos detalhes de relacionamento, que terminam, no dia-a-dia, lhes prejudicando seriamente. Muitos deles, não percebem que algumas de suas atitudes provocam desconforto ou desagrado em outras pessoas, simplesmente porque essas atitudes são involuntárias, não mal intencionadas.

Um dos grandes desafios a serem vencidos, quando se procura o sucesso em uma carreira profissional, é o de conseguir que o relacionamento com os colegas de trabalho se desenvolva em harmonia e dentro de padrões de convivência regularmente aceitos por eles. Isso não significa ser “bonzinho” com todo mundo, ou aceitar as coisas erradas com um sorriso no rosto.

A verdadeira base de um relacionamento adequado, para obter uma convivência duradoura, está em cuidar de pequenos detalhes que colaboram para transformar esse convívio em uma coisa agradável e duradoura. Existem pessoas que conseguem se relacionar de forma harmoniosa com todos, mas para outras, essa relação é um pesadelo e cheio de grandes dificuldades, a serem superadas a cada instante.

Isso é um grave problema, pois a boa convivência é de fundamental importância para quem quer ser bem sucedido. Surge um questionamento importante:

É possível conviver bem com qualquer pessoa?

Nem sempre. Não obstante, se cuidarmos de alguns detalhes, essa tarefa pode ser infinitamente mais leve:

-  Não participe, nem seja fonte de fofocas relacionadas com as pessoas que formam parte do seu grupo de trabalho.

-  Saiba separar sua vida particular da profissional. Não conte seus segredos nem suas magoas particulares no ambiente de trabalho.

-  Não rotule nem julgue as pessoas, para evitar ser julgado e rotulado.

-  Esteja sempre disposto a ajudar as pessoas, não negando sua participação nem se omitindo.

-  Cumprimente as pessoas com carinho e respeito, sem por isso ultrapassar limites pessoais.

-  Não se preocupe com a vida alheia e cuide dos seus assuntos com o necessário sigilo e discrição, para evitar que os outros se preocupem com sua vida.

-  Sempre dê atenção às pessoas que lhe procuram, independentemente de serem agradáveis ou não, ou do cargo ou da hierarquia que possuem.

-  Viva sua vida, faça seu trabalho e deixe os outros viverem suas vidas e fazerem seus trabalhos.

-  Ajude as pessoas, sempre que lhe é solicitado.

-  Seja sempre um bom profissional, e não despreze aquelas pessoas que possuem menos conhecimento ou experiência que você.

É preciso ser muito cuidadoso e disciplinado para agir desta forma, porém certamente os resultados serão muito gratificantes e estarão colaborando para tornar seu ambiente de trabalho agradável e muito produtivo.

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

O poder da palavra

 A palavra, como elevada forma de expressar os pensamentos, tem a capacidade de tornar transparentes os sentimentos do ser humano e adotam a cor, o brilho e o sabor das emoções com as quais são proferidas.

Nos aparece encarnada na explosão da ira, celeste nas preces, rosa no canto maternal. Brilhante quando elogia, opaca-se numa calunia. Doce no afago, se azeda na crítica. Amorosa no abraço, sensual na expressão, libidinosa na resposta, assume o papel de mensageiro das emoções.

Possui afiadas bordas que provocam profundas feridas quando proferida de forma insensata, mas pode também, ser portadora do bálsamo delicado que cicatriza os cortes.

A palavra é arma e redenção, é ofensa e compreensão; é instrumento, objeto, recipiente e conteúdo. É poderosa. Marca, deixa rastros. O Ser encarna-se através da palavra, da mesma forma que o Poder e o Querer.

Sendo assim, tão valiosa e volúvel, todos os cuidados possíveis devem ser tomados antes de usá-la. Vale muito mais uma palavra silenciada na esperança de uma reconciliação, que uma torrente verbal avassaladora despejada com ódio no calor de uma disputa.

Esta reflexão sobre o valor da palavra vem de encontro com uma situação de extrema violência psicológica que tive oportunidade de conhecer de forma direta.

O dirigente responsável pela condução de uma instituição destinada à educação de crianças, pressionado pela necessidade de apresentar resultados aos seus superiores, tem realizado reuniões individuais com os professores, seus subordinados, nas quais, diretrizes destinadas a promover alterações de ordem administrativa são apresentadas de forma impositiva. O mérito da mudança não envolve o grau de competência dos educadores, mas sua disposição a ficarem reféns de mudanças de jornadas e horários estabelecidos de forma autocrática.

Críticas, questionamentos e insinuações, são disparados a esmo, sem medir suas consequências na estrutura emocional dos receptores. Não há diálogo, mas monólogo monocórdio, uniforme, inapelável. 

Até aqui, podemos afirmar que não nos cabe julgar se essas mudanças são adequadas ou não, pois cada gestor sabe, sem dúvida, onde o sapato aperta.

A nossa preocupação coloca seu foco na forma e estilo, com que são aplicadas suas palavras, usadas como mecanismo psicológico de desvalorização dos interlocutores, utilizando expressões de baixo nível, vulgares, as quais, ao serem colocadas nos questionamentos realizados, traduzem de forma grosseira o seu verdadeiro objetivo que, ao agir desta forma, pretende desqualificar seus colaboradores.

Uma instituição educacional é formada, na sua totalidade, por educadores em tempo integral. Desde o mais alto dirigente, que deve ser mestre, líder e modelo para seus professores e o corpo discente, até a mais singelo colaborador, que recolhe os papeis do chão, e que tem por obrigação ensinar às crianças a serem cuidadosas e educadas, evitando sujar os ambientes de convivência.

O relacionamento interpessoal deve ser pautado, sem exceções, pelo respeito à pessoa, aos seus sentimentos, e por sobre tudo aos seus direitos como membro de uma comunidade formada com profissionais de elevado nível e capacidade intelectual.

Em nenhuma hipótese, expressões vulgares devem ser colocadas como justificativas para questionamentos hipotéticos, pois as palavras erradas machucam, ofendem e depreciam, nas pessoas, seus valores morais.

Não será a falta de ética na relação, que facilitara a procura de uma solução compartilhada. A sinceridade, a compreensão e sobre todas as coisas o respeito por àqueles que, diariamente dedicam seus esforços para transformar em realidade os objetivos e metas traçadas, devem ser vetores de direção para qualquer diálogo.

Como resultado desta atitude, pode-se verificar a existência de um profundo estado de revolta e decepção da equipe. Uma sensação de menos-valia toma conta do espírito, desmotivando e promovendo a desagregação emocional, daqueles que, lutam e se esforçam em cumprir suas obrigações, muitas vezes a custos inimagináveis.

A palavra bem aplicada e usada se transforma em preciosa obra de arte, merecedora de admiração e respeito pelo ouvinte. Jamais deverá ser utilizada como aríete, para abalar a estrutura emocional daquele que está nos ouvindo.

Respeitar o ser humano, seus sentimentos, seus direitos, suas emoções não é favor, mas obrigação iniludível de todos nós.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Neurose nas organizações

 “Não podes encontrar nenhum remédio para o cérebro doente, da memória tirar uma tristeza enraizada e com algum antídoto de esquecimento, doce e agradável, aliviar o peito, que opresso, geme ao peso da matéria maldosa que oprime o coração...”.

Shakespeare

 Ao começar uma palestra sobre o assunto da epígrafe, “Neurose nas Organizações”, fiz a seguinte pergunta aos participantes:

– Quem é neurótico?

Várias respostas surgiram, rotulando diversos tipos de caracteres e personalidades como “neuróticos”. Exemplos, anedotas e “causos” jorraram, sendo algumas delas curiosas e até divertidas. Mas nenhuma das respostas coincidiu com a resposta que estava aguardando. Uma avaliação rápida das mesmas permitiu tirar uma conclusão rápida: neuróticos são os outros. Nenhuma resposta incluía o sujeito que a estava enunciando. Depois de certo tempo, durante o qual houve uma rica troca de opiniões, solicitei aos participantes que encerrassem as discussões e ofereci a minha resposta à pergunta enunciada:

- Todos, em maior ou menor grau, somos neuróticos!

A plateia silenciou e percebi alguns movimentos de acomodação nas cadeiras por parte daqueles que, poderiam não estar concordando com este conceito.

Partindo deste princípio, considero importante, antes de prosseguir, explicitar o conceito de Neurose.

 

O que é Neurose?

 

É um tipo de transtorno mental, onde não se observa nenhuma grande distorção da realidade (como nos delírios ou alucinações), nem uma desorganização manifesta da personalidade. A mesma decorre do conflito neurótico provocado pela obstrução da descarga dos impulsos instintuais que ocorrem num estado em que estes estejam reprimidos. O sujeito neurótico vai ficando cada vez menos capacitado para administrar as tensões, sempre crescentes (e acumulativas), o que acaba resultando na sua total sujeição. O indivíduo fica preso às emoções reprimidas, procurando, de alguma forma uma descarga dessas tensões.

Como exemplo podemos considerar aquele sujeito que recebe, repetidamente reprimendas injustas do chefe. Até indivíduos dotados de uma sólida estrutura psíquica podem ser vítimas de uma paralisia mental transitória induzida pela pressão exercida pela estrutura organizacional no ambiente de trabalho.

Ao voltar para casa, descarrega sua raiva projetando-a sobre um sujeito passivo e inocente, que nem sempre é o cachorro. Pode ser algum membro da família, um vizinho que deixou o carro atravessado na vaga, o porteiro e outros, que de forma inocente acabam se transformando no recipiente de descarga dessa tensão.

As pessoas neuróticas, em geral, apresentam algum grau de sofrimento e de desadaptação em alguma, ou mais de uma, área importante de sua vida: sexual, familiar, profissional ou social. Não entanto, conservam uma razoável integração do self (a imagem de si mesmo), além de uma boa capacidade de juízo crítico e de adaptação à realidade. Não devemos confundir Neurose com Psicose que são coisas bem distintas e com efeitos bastante diferentes. As psicoses são estados de insanidade mental apresentados por indivíduos que demonstram uma real incapacidade de reconhecer fatos e estabelecer relações entre eles, caracterizados pela presença de delírios e/ou alucinações, em que o sujeito costuma perder a noção da realidade.

Para melhor ilustrar este conceito podemos considerar os seguintes exemplos de psicoses:

• Coletiva: medo ou terror, que acomete várias pessoas ao mesmo tempo;

• De guerra: trauma derivado da participação em guerras;

• Canábica: causada pelo uso prolongado de maconha.

• Maníaco-depressiva: delírios de grandeza / poder alternados com outros de ruína, culpa, prejuízo, morte;

• Paranoia: transtorno delirante (ver problemas onde não há).

• Esquizofrenia: delírios, alucinações, comportamento e discurso francamente perturbados, (Ex.: conversar com uma entidade divina, através dos pelos das pernas);

 

O que é Neurose Organizacional?

 

É um quadro de perturbação psíquica observada em algumas pessoas membros de uma organização, as quais, geralmente, apresentam dificuldades de aceitação ou de adaptação às normas, conflitos, exigências, responsabilidades e situações diversas existentes. É importante salientar que na maioria dos casos, essas pessoas conseguem trabalhar, estudar, ter vida amorosa e estar relativamente bem entrosadas com a realidade, porém, existe “alguma coisa” que as perturba, que não está bem.

As pessoas vítimas de neurose organizacional vivem em permanente conflito psíquico consigo mesmas. Não conseguem desenvolver de forma prazerosa suas atividades, manter relacionamentos harmoniosos com seus gestores ou com outros membros da equipe. Em outras palavras, estão impedidas de aproveitar as vantagens e prazeres de uma existência livre de sofrimentos.

O ser humano é um todo indivisível, e não pode ser explicado pelos seus distintos componentes (físico, psíquico ou social-relacional), considerados separadamente.

A saúde, física e mental, de uma pessoa, não pode deixar de estar vinculada ao resultado de seu histórico de vida, de seus processos psíquicos, das vivências em família, daquilo que ficou recalcado (gravado) em seu inconsciente, das relações interpessoais, do convívio em sociedade e de uma proposta de trabalho que favoreça a realização de seus sonhos, suas aspirações para construção do seu projeto de vida.

Muitas vezes, um sujeito é rotulado como neurótico, sendo esta expressão mal utilizada como sinônimo de louco, pirado. Isso não corresponde ao verdadeiro significado da palavra. A neurose é um tipo de doença na qual os sintomas são a expressão simbólica de um conflito psíquico que se constitui a partir de compromissos entre o desejo e a repressão, utilizando-se para isso de mecanismos de defesa.

Geralmente estas neuroses eclodem a partir de situações antagonistas entre as próprias expectativas e aquelas que emanam de outras pessoas ou das diretrizes organizacionais. O neurótico tem consciência do seu problema e muitas vezes até se surpreende com seu próprio comportamento, porém, é típico dele sentir-se impotente para modificá-lo.

Como as pessoas passam a maior parte de seu tempo “vivendo” ou trabalhando dentro de organizações, onde não se escolhem os colegas de trabalho, é necessário intervir para evitar o poder traumático e negativo que muitos colaboradores exercem nos seus grupos, bem como, amenizar de forma gradativa o medo, a raiva, o stress, a frustração, a ansiedade e a depressão que surge nos ambientes de trabalho.

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.