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quinta-feira, 17 de março de 2022

As palavras, úteis ou fúteis?

 Existem momentos nos quais é necessário parar por alguns instantes para refletir sobre certos acontecimentos que afetam nosso dia a dia e, consequentemente, de uma forma ou de outra, nossa vida. Me refiro ao valor verdadeiro de tudo aquilo que, a cada momento recebemos como informação, através de palavras e mensagens enviados pelos médios de comunicação disponíveis.

Como ponto de partida, me permito retornar um pouco no tempo, até 16 de novembro de 2020, quando publiquei neste blog um texto onde foram tecidos alguns comentários sobre “O poder da palavra”. Traduzimos nossas ideias com os seguintes conceitos, que permanecem atuais:

 

A palavra, como elevada forma de expressar os pensamentos, tem a capacidade de tornar transparentes os sentimentos do ser humano e adotam a cor, o brilho e o sabor das emoções com as quais são proferidas.

Nos aparece encarnada na explosão da ira, celeste nas preces, rosa no canto maternal. Brilhante quando elogia, opaca-se numa calunia. Doce no afago, se azeda na crítica. Amorosa no abraço, sensual na expressão, libidinosa na resposta, assume o papel de mensageiro das emoções.

Possui afiadas bordas que provocam profundas feridas quando proferida de forma insensata, mas pode também, ser portadora do bálsamo delicado que cicatriza os cortes.

A palavra é arma e redenção, é ofensa e compreensão; é instrumento, objeto, recipiente e conteúdo. É poderosa. Marca, deixa rastros. O Ser encarna-se através da palavra, da mesma forma que o Poder e o Querer.

Sendo assim, tão valiosa e volúvel, todos os cuidados possíveis devem ser tomados antes de usá-la. Vale muito mais uma palavra silenciada na esperança de uma reconciliação, que uma torrente verbal avassaladora despejada com ódio no calor de uma disputa. (Pisandelli, 2020) [1]

 As palavras podem estar impregnadas de valor, de significado e relevância. Podem ser comparadas a um vetor de impulso que através de sua ação, proporciona oportunidades de melhoria e crescimento nas relações interpessoais. São aquelas palavras que transportam, no seu seio, energias positivas, boas intenções e sobre tudo um verdadeiro e sincero desejo de crescimento social. São palavras úteis, que acrescentam e constroem. Não há energia negativa, desejo de vingança ou crítica azeda.

Em contrapartida, existem àquelas palavras, que impregnadas de uma seiva amarga e corrosiva queimam, ferem nossos espíritos. Voam como setas agressivas, lançadas para lacerar sem importar as consequências dos seus efeitos. Somente projetam raiva, ressentimento e despeito. São palavras fúteis, que nada constroem nem acrescentam. São ocas, sem importância relevante nem utilidade. Caracterizadas por uma sensação de mágoa, são geradoras de desprazer, de rancor ou de angústia sentida por àqueles que são alvos escolhidos.

Pequena é a diferença entre as expressões úteis e fúteis, mais enorme enquanto ao seu significado. É neste ponto que desejamos chamar para reflexão nosso leitor.

A crítica, quando construtiva e bem intencionada, sempre será útil, bem vinda. As palavras corrigem sem ferir, ajustam sem ofender, sugerem sem lacerar. Uma opinião será sempre bem recebida quando seu objetivo esteja pleno de boas intenções.

Sendo ela destrutiva, agressiva ou debochada, será sempre fútil, irrelevante, sem importância nem utilidade. Estará desprovida de essência, será tola e desnecessária.

Abençoados são todos os médios de comunicação, que encurtam distâncias, que nos permitem estar a par, quase instantaneamente, de tudo àquilo que de bom ou de ruim acontece em nosso mundo. Não tenho nada a criticar sobre o progresso da comunicação. Minha angustia se centra naquelas mensagens fúteis, escritas por pessoas que não se aprofundam nos assuntos, que não param para pensar sobre àquilo que expressam, nem muito menos nos efeitos que suas palavras podem provocar.

Sugiro meditar sobre este assunto e sua importância. A “Caixa de Pandora” foi aberta, e assim permanece há muitos e muitos anos, espalhando todas suas mazelas na humanidade. Porém, e a pesar de tudo, ainda resta a Esperança, solidamente fincada no interior de nossos corações.

Vamos meditar um instante antes de escrever ou enviar qualquer mensagem, informação ou notícia. Vamos tratar de que sejam sempre úteis e jamais fúteis.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Onde está o lobo mau (Parte II): Isso nunca acontecerá com nossos filhos!

 A fábula “Chapeuzinho Vermelho”, é certamente, por todos nós conhecida, não obstante isso, nem sempre valorizada na sua justa medida, nem reconhecidos os seus importantes ensinamentos. Encerra, nas suas palavras, uma mensagem por demais esclarecedora, a qual é dirigida não só às crianças que adoram ouvi-la, mas particularmente aos pais, que com frequência preocupante permitem que seus filhos se adentrem nas “florestas da vida”, confiantes em que nada virá a lhes acontecer.

Estas postagens (Parte I e II) não tem, nem nunca tiveram, a pretensão de serem um tratado sobre abuso de crianças ou pedofilia, nem poderiam sê-lo, considerando a extrema complexidade e amplitude do tema. Não obstante, foram escritas com uma adequada fundamentação teórica, embasamento que lhe confere a necessária garantia de verossimilitude em suas diversas e múltiplas afirmações.

Procuramos sempre levar, de forma objetiva até o leitor, uma visão esclarecedora e plausível de alguns dos perigos aos quais as crianças estão expostas cotidianamente nos diversos ambientes que frequentam, com ou sem o aval paterno. Estes ambientes, os mais diversos possíveis, possuem quase sempre brechas, fendas ou canais inesperados que permitem a entrada sub-reptícia de elementos mal intencionados os quais, agindo de forma similar aos predadores implacáveis da floresta, ficarão à espreita de suas presas, em silêncio, o tempo que for necessário, até que, de forma inesperada, estas cairão nas suas garras, sem perdão, inexoravelmente.

As vítimas potenciais, são pequenos e inocentes seres desprotegidos, que nem sempre possuem uma verdadeira noção do perigo que estão correndo. Curiosos, procuram continuamente por respostas a cada uma de suas intermináveis interrogações, respostas que às vezes, ao serem encontradas, geram novas dúvidas, em ciclos que se repetem ad infinitum.

Embora paralisados pelo medo, às vezes superam as barreiras, sedentos de serem partícipes de novas e excitantes experiências. Ser criança é aceitar desafios sem medir consequências. Angustiados, certamente, ao ter que enfrentar uma situação totalmente inesperada, porém permanentemente premidos pela necessidade de aprender e apreender, de tomar para si tudo o que se apresenta como novo, desconhecido, nem sempre desejado, mas pleno de mistério, que lhes é oferecido de mãos abertas, gentilmente, sem censura, sem reproches.

São deixados pelos pais, familiares ou responsáveis em aparente segurança, dentro dos mais elevados níveis de confiança possíveis, em espaços pretensamente blindados ao mal, com aquelas pessoas que, se espera, lhes fornecerão educação e conhecimento, cuidarão de sua saúde e higiene, os alimentarão e resguardarão na ausência dos seus maiores, fato por demais frequente nestes dias atribulados e cheios de compromissos sociais, laborais e profissionais.

Ficam em ambientes considerados fortemente protegidos, com grades, câmeras de vídeo, cercas elétricas, guardas munidos de médios de comunicação de última geração, convenientemente isolados por portas, travas e vidros blindados, pretensamente a salvo dos potenciais perigos que estão presentes no cotidiano de suas vidas, daqueles bandidos transvestidos de mocinhos, das drogas e maldades, das armas, enfim, dessa violência urbana cotidiana que inunda e sufoca cada vez mais nossa sociedade.

Condomínios, escolas, igrejas, clubes, acampamentos, casas de amigos tradicionais, de parentes muito próximos, clínicas de renome, consultórios, academias de arte ou dança, creches, quiçá o próprio quarto, a sala ou o banheiro do lar, naquele inviolável espaço familiar.

Estes são tão somente alguns dos lugares nos quais se deposita essa confiança, deixando ou entregando as crianças, com alegria, sem medo, na certeza de que, logo mais estarão retornando aos nossos braços, sãs e salvas.

Mas, nem sempre isso é uma verdade insofismável. Da mesma forma em que, dentro desses ambientes seguros, as rosas podem nos mostrar toda sua beleza e esplendor, a semente do mal pode ter sido plantada e estar germinando em silêncio. O predador pode encontra-se já oculto na penumbra, em silêncio, acaçapado, afiando suas garras, pronto para dar o bote.

Qual lobo transvestido de avó pode encantar com sua candura, tal qual onírico príncipe que seduz, com o brilho dos seus olhos e a permanente alegria do seu sorriso. A pergunta surge naturalmente: Onde está o lobo mau...?

As armadilhas podem estar prontas, aguardando a oportunidade, montadas na úmbria solidão dos corredores, nos quartos de estudo e nas salas de aula, nos vestiários, parques, bibliotecas e salas de jogos, nos banheiros e dormitórios. Na solidão dos auditórios fechados, nos cinemas e nos templos consagrados. Nas garagens, estacionamentos e guaritas. Nos consultórios, onde se procura a seriedade e integridade do profissional de saúde. Na sala de música e canto, no atelier do mestre pintor...

Sempre que houver uma oportunidade para o mal ser praticado, haverá uma ocasião para praticá-lo e alguém pronto e disposto a tirar proveito disso. Não existe impossível para quem deseja satisfazer seus desejos perversos. Não há barreiras, grades, portas ou muros, luzes ou sombras capazes de impedir a ação de um ser mal-intencionado. O tempo e o silêncio estarão sempre de seu lado.

Muitos de nossos leitores, certamente comentarão para si: tudo isto é balela, papo furado, exagero doentio. Não existe em hipótese nenhuma, este mundo horrível dentro do meu universo pessoal. Meus amigos e colegas são da mais alta confiança. O colégio dos meus filhos é tradicionalmente o melhor e mais qualificado estabelecimento educacional da cidade, seus professores e a diretoria, são irrepreensíveis. Nunca houve um caso sequer de moléstia a uma criança.

Os templos, de cujas cerimônias religiosas participamos nós e todos nossos amigos e familiares, estão a cargo de pessoas maravilhosas, amorosas, cheias de bondade e que cuidam abnegadamente dos pobres, dos anciões e dos menores em situação de risco, que tanto existem nas ruas. Basta participar dos ritos e encontros, conversar com as pessoas, para perceber que esse amor e essa bondade estão presentes em cada ato.

Os consultórios médicos nos quais nossos familiares são tratados pertencem aos mais renomados profissionais de saúde, ou se encontram nas melhores clínicas e hospitais da cidade.

Ninguém, na nossa primorosa família, jamais seria capaz de cometer o menor ato reprochável com qualquer criança que seja, e muito menos com algum dos nossos filhos. Eles são adorados e cobertos de carinho por tios, avós e primos.

Nossos amigos compartilham com suas famílias os melhores e mais felizes momentos de suas vidas conosco, e são todos da mais elevada qualidade humana. É absurdo pensar uma coisa assim. Isso nunca acontecerá com nossos filhos!

Outros, no entanto, ficarão apreensivos e desconfiados. Alguns quiçá, podem até lembrar-se de algum caso acontecido faz certo tempo com vizinhos ou conhecidos, enfim, com os outros.

Finalmente, haverá aqueles, que lendo alguns parágrafos deste texto, permanecerão em silêncio, sentindo um aperto na garganta ao lembrar-se da dor sentida, no corpo e na alma. Estes podem até não mais serem capazes de chorar, pois suas lágrimas estarão represadas pelo terror, nos mais recônditos e obscuros espaços selados da memória.

Não é feito pelo autor, nenhum juízo de valor sobre qualquer opinião, seja ela favorável ou contrária ao conteúdo exposto aqui. Cada pessoa pode e deve ter livre arbítrio para pensar e agir como sua consciência assim o determinar.

Esperamos, no entanto, que ninguém feche os olhos, tampe os ouvidos nem silencie a voz, sem se deter um instante para meditar, e se fazer, em silêncio, uma única pergunta: será isso possível de acontecer? A possível vítima pode estar, neste momento olhando na sua direção, quiçá ao seu lado, sem poder expressar seus medos e angústias, sua dor, seu sofrimento.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

 

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Na sutil teia da dor

Uma teia é tecida lenta e cuidadosamente. Sem alarde. Sua resistência aumenta a cada fio agregado. Praticamente invisível, dificilmente poderá ser evitada pelas suas vítimas potenciais. É silenciosa, discreta e flexível. Não destrói nem devora. Não provoca feridas dilacerantes. Simplesmente prende, aprisiona.

Na sua transparência reside sua força. É muito difícil de ser notada. A percepção de sua existência, poderá ser o primeiro sinal de que já não há retorno, de que fomos capturados por ela.

Mas não é exclusivo de florestas ou telhados sombrios o ambiente propiciador das armadilhas caracterizadas pelas teias, tão sutis quanto poderosas. É na privacidade do lar, ambiente supostamente protegido e privativo da família, pretensamente iluminado e aquecido pela energia do amor que, com uma frequência muito maior que a imaginada, imensas, envolventes e poderosas teias emocionais são estendidas silenciosamente, com objetivo de capturar e sufocar sonhos, desejos e liberdades. São as teias do relacionamento abusivo.

Avaliamos como importante destacar algumas considerações que, em nosso entender, são essenciais para um melhor entendimento destes conceitos:

 1. Não há geração espontânea da teia.

As teias as quais nos referimos não têm geração espontânea nem surgem do acaso. São estendidas a partir de um primeiro fio ancorado num íntimo e perverso sentimento de dominação. Têm, na sua criação, objetivos e propósitos claramente definidos. Nascem pequenas, sutis, quase imperceptíveis. Se expandem lentamente, concêntricas, aumentando progressivamente sua capacidade de reter, imobilizar, asfixiar.

 2. Não possui exclusividade de gênero

Um relacionamento abusivo não possui características de dominância de gênero. Não é sinônimo de machismo ou feminismo. Embora exista uma predominância evidente de vítimas entre o sexo feminino, não devemos subestimar a situação oposta. Há sim, multiplicidade de situações nas quais, o homem é objeto de manipulação perversa pela sua companheira.

 3. Relacionamento abusivo é indiscutivelmente uma forma de violência doméstica

Embora não necessariamente um relacionamento abusivo termine em tapas ou agressões físicas de maior intensidade, caracteriza sim uma grave situação de violência na relação visto que seus efeitos, deixam marcas dolorosas e profundas nas pessoas, quebrando os sólidos alicerces nos quais deve ser fundado um convívio baseado no amor e no respeito mútuos.

Isto posto, devemos considerar que este tipo de relacionamento pode se estabelecer tanto entre pessoas inicialmente fortes, instruídas, resolvidas e de bem com a vida, quanto entre àquelas fragilizadas, menos afortunadas e carentes de suporte emocional e material adequado que lhes permita levar uma vida, pelo menos digna e socialmente aceitável. O relacionamento abusivo não escolhe classes sociais nem graus acadêmicos. É necessário acabar com falsas premissas e clichês qualitativos e estratificantes. Permeia todos os muros, níveis e categorias. Todos estamos sujeitos a ele.

O relacionamento abusivo não deve ser confundido com relacionamento conflitivo, àquele onde um casal vive “às turras”, brigando e discutindo por assuntos banais, ou procurando “pelos no ovo”, como é dito comumente. Não é este modelo de convívio que estamos focando.

O abuso geralmente se manifesta num ambiente que em nada se assemelha a uma batalha doméstica. Há um padrão comportamental identificado, onde agressões e violência física inexistem. O abusador, mostra-se gentil, carinhoso, romântico e por vezes altamente apaixonado. Atrai a presa para sua teia alimentando sua autoestima de forma intensa e envolvente. Percebe-se um discurso amoroso, com declarações inflamadas, onde afagos carinhosos e intensos elogios pessoais despertam emoções e sentimentos represados.

Neste ponto, devemos abrir um parêntese para esclarecer um aspecto chave que não podemos deixar de mencionar: O amor é lindo, e nunca é demais. Uma manifestação carinhosa, um reconhecimento, um elogio, quando espontâneo e natural, alimenta com sua energia a chama da felicidade. É a essência da vida a dois.

A luz de advertência deve ser acessa quando essas manifestações são exageradas, quando as provas de amor são cobradas de forma intensa e repetitivas. É necessário perceber e saber diferenciar uma declaração de amor espontânea daquela que tem, como objetivo mudar o foco, ocultar uma eventual constatação de desvio ou, principalmente alterar uma situação determinada para permitir uma alteração de percurso e assumir o controle.

 4. Amor e manipulação

Quando a relação está nas suas fases iniciais de descobertas, onde a paixão se sobrepõe, tanto em intensidade quanto em emoção, não é difícil identificar rompantes de amor e discursos inflamados. Não são estes momentos que estamos considerando. O nosso foco está centrado naquele relacionamento consolidado, estável ou pelo menos com certo grau de “normalidade relacional e social”. Não há romantismo “pulsante”, oscilatório, periódico. O amor é suave, permanente, continuado. É “no dia-a-dia” que se ama.

Quando a relação está pautada por episódios cíclicos de brigas, humilhações, ciúmes, críticas banais e desnecessárias, seguidas por momentos “especiais” de arrependimentos, romantismo, atitudes compensatórias e singularmente apaixonadas, devemos parar para pensar. Há, certamente uma luz de alerta se ascendendo.

Não se tapam buracos na relação com romantismo, flores ou declarações apaixonadas. Os desentendimentos não podem ser acobertados com presentes ou jantares à luz de velas. São as atitudes diárias que falam mais alto. Surpresas, presentes, caixas de bombons ou elogios ardentes não são demonstrações de amor. O amor se vive na pele, nas emoções, no compartilhamento de momentos bons e ruins. Se consolida na rotina do conviver em paz, não na excepcionalidade de um instante.

Promessas repetidas, regadas a desculpas e arrependimento, certamente não frutificarão, pois estão contaminadas com a intencionalidade. Não há sinceridade no pedido de perdão reiterado.

 5. Mudar para melhorar

Uma segunda faceta indicativa de um possível relacionamento abusivo pode ser identificada nas eventuais propostas realizadas, de forma indireta ou não, com intenção de promover mudanças comportamentais na outra parte.

Não nos referimos as propostas críticas realizadas de forma sincera e amorosa, com intenção construtiva, resultantes de diálogos abertos e bem intencionados. Uma relação baseada no amor e na sinceridade, permite a troca de opiniões francas assim como os diálogos críticos dentro dos limites naturais do respeito a individualidade e independência de escolha de cada um. Hábitos, gostos e costumes podem, e devem ser revistos, sempre de forma propositiva e na intenção de melhorar e aprimorar uma relação. Um casal aprende e evolui no diálogo e no amor, com tolerância e respeito pelas escolhas individuais. Isso não representa submissão. Ouvir a pessoa que nos ama ou aceitar sugestões dela, quando bem intencionadas, ajuda a estabelecer uma relação de intimidade e parceria.

Quando as mudanças sugeridas envolvem traços pessoais e particulares de comportamento, estrutura do pensamento ou estilo de vida, para serem adequados à identidade e preferências do outro, estaremos frente a uma invasão tóxica de nossa personalidade.

O abusador, de forma sutil, porém consistente, buscará mostrar que uma atitude correta, um modo certo de pensar ou agir está sempre assentado na sua própria forma de enxergar as coisas. Seu corte de cabelo, suas roupas, suas escolhas pessoais, suas amizades, seus perfumes, os livros que você lê, seus cursos e atividades acadêmicas, enfim, as características próprias de sua personalidade serão questionadas indiretamente. Não haverá uma crítica objetiva e contundente, mas comentários depreciativos e desaprovadores do tipo:

-   “Isso não está errado, claro. Porém ficaria melhor em você assim ou de tal forma...”

-    “Esse perfume é doce demais para você... prefiro tal outro...”

-   “Não entendo como você pode gostar disso..., eu prefiro assim.”

-   “Essa roupa fica melhor em pessoas magras... acho melhor para você, essa outra.”

-   “Esse curso é totalmente sem futuro... para você melhor seria...”

 Você pode pensar que nada custa uma pequena adequação no meu penteado, ouvir sua opinião, atender seus desejos, realizar pequenos ajustes de estilo para atender seus pedidos. Pequenos sacrifícios ajudam a manter uma boa relação, certo?

Errado. Nos termos acima expostos, o que realmente está acontecendo é uma verdadeira submissão da individualidade, um cancelamento da identidade. A liberdade de pensar, de gostar, de ser, desejar e sonhar, é bloqueada. As emoções são anuladas, o prazer é substituído pela insegurança e o medo. Não há amor nessa relação. Ele morreu na sutil teia da dor.

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.


sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Juízo de fato e juízo de valor

 Ao olhar pela janela e dissermos: “Hoje faz sol” descrevemos um acontecimento que está sendo constatado por nós. Estamos nos referindo a uma percepção objetiva evidenciada por nossos sentidos. Proferimos, nestas circunstâncias, um juízo de fato.

Se, a seguir, comentamos que “O sol é benéfico para as plantas e para nossa saúde” estaremos realizando uma interpretação e avaliação subjetiva desse acontecimento. Com este comentário estaremos realizando um juízo de valor daquele evento.

 

“Juízos de fato são aqueles que dizem que algo é ou existe, e que dizem o que, nas coisas são, como são e por que são. Em nossa vida cotidiana, mas também na metafísica e nas ciências, os juízos de fato estão presentes. Diferentemente deles, os juízos de valor são avaliações sobre coisas, pessoas, situações e são proferidos na moral, nas artes, na política, na religião. Juízos de valor avaliam coisas, pessoas, ações, experiências, acontecimentos, sentimentos, estados de espírito, intenções e decisões como bons ou maus, desejáveis e indesejáveis. Juízos de valor não se contentam em dizer que algo é ou como algo é, mas se referem ao que algo deve ser. Dessa perspectiva, os juízos morais de valor são normativos, isto é, enunciam normas que dizem como devem ser os bons sentimentos, as boas intenções e as boas ações, e como devem ser as decisões e ações livres. Em outras palavras, são normas que determinam o dever ser de nossos sentimentos, nossos atos, nossos comportamentos. São por isso juízos que enunciam obrigações e avaliam intenções e ações segundo o critério do correto ou incorreto.  (Chauí, Marilena, 2003, p.307)”.   

 

Não é muito difícil emitir um “Juízo de fato” em nosso cotidiano. Na realidade, é isso que fazemos continuamente, como resultado de nossa percepção da realidade e da avaliação permanente do entorno em que vivemos. Essa percepção objetiva de um fato é uma forma de interação entre o indivíduo e o meio. Serve, muitas vezes, como sinal de alerta frente a uma eventual situação de perigo. Identificar um piso molhado acende o sinal de alerta: “Cuidado, podemos escorregar”. Simples assim. Vivemos imersos em permanentes “juízos de fato” e “juízos de valor”, e assim continuamos percorrendo nosso caminho.

O quadro começa a mudar sua tonalidade, quando essa percepção objetiva do fato, migra para uma interpretação e avaliação subjetiva do mesmo. A situação de perigo: “piso molhado” (juízo de fato), se alterna para: “alguém molhou o piso” (juízo de valor). A introdução de um sujeito pronominal indefinido, estabelece uma culpabilidade subjetiva. Há um responsável por isso, alguém deve assumir sua culpa. Se “eu” escorregar, será por obra e arte da irresponsabilidade do “outro” que molhou o piso. Haverá uma interpretação e avaliação subjetiva do fato, um “juízo de valor”. Incorporamos uma intencionalidade ao evento, que pode ou não ser real. O piso molhado pode ser consequência de uma eventual infiltração que permite a entrada de água da chuva, simples assim, impessoal, circunstancial, sem objetivo premeditado. Porém, nós alteramos a cena. Colocamos um sujeito virtual nela. Esse “outro”, é o inominável, àquele que não sou “eu”. Há um responsável. Existe, e deverá ser identificado! Nosso juízo de valor está completo! Encontramos um responsável, um culpado: o outro.

No post “O poder dos outros”[1] destacamos a força e o poder que “os outros” exercem em nossa vida:


Que força poderosa possuem os outros! Que capacidade destrutiva tem nas suas mãos! De que forma covarde nos agridem e ofendem, a cada instante! De que forma ladina e mal-intencionada nos roubam, arrebatam nossos sonhos, destroem nossas esperanças! É impossível ser feliz, viver em paz, construir nosso futuro, por culpa dos outros que interferem em nossos sonhos, derrubando as paredes que construímos com tanto esforço! Vivemos num verdadeiro inferno por culpa dos outros. Somente há uma coisa que não podemos esquecer: Para os outros, o outro somos nós! 

 

Deixamos aqui um sinal de alerta, sobre nossa incrível capacidade de realizar “Juízos de valor” viciados por uma interpretação subjetiva e egoísta da realidade, com o único desejo de culpar o outro, por aquilo que nos afeta negativamente. Em nossos julgamentos, maculados pelo egoísmo, não procuramos encontrar soluções para as mazelas que nos afligem, mas identificar àqueles que consideramos culpados por elas. Essa atitude se voltara contra nós. Haverá um preço a ser pago por ela, que nem sempre estaremos dispostos ou poderemos pagar.


Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

 

Bibliografia:

 

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. [Livro do Professor] – 13ª edição, 1ª impressão. São Paulo, Editora Ática,2003,

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Promoções e atitudes

 Frequentemente, excelentes profissionais são preteridos ou desconsiderados ao surgirem oportunidades de promoção e crescimento dentro de uma organização à qual estão ligados. As causas desse tipo de atitude, geralmente adotada pela Alta Administração, nem sempre são explicadas claramente. Na realidade, muitas vezes nem existe uma verdadeira causa explícita, mas um conjunto de fatores que terminam prejudicando essas pessoas e impedem seu progresso.

Certos tipos de comportamentos ou posturas adotadas durante o relacionamento do dia-a-dia podem-se transformar em fatores decisivos na hora da escolha. Muitos deles podem parecer bobagens sem importância, e às vezes, realmente o são, mas ao se repetirem, com certa frequência, passam a transformar-se em fatores determinantes no intercurso de uma avaliação mais cuidadosa. Diversos pontos são analisados e levados em conta por gestores e pessoas responsáveis por indicações dentro das empresas. É de extrema importância prestar atenção a esses detalhes e parar por um instante para fazer uma reflexão e uma autoanálise.

Considerar-se injustiçado durante uma oportunidade de promoção, é um direito que as pessoas têm, mas será que existe algum fator que está sendo levado em consideração e que não está sendo percebido na sua real dimensão?

Avalie se os questionamentos a seguir, lhe alcançam de alguma forma:

-  Os horários de trabalho estabelecidos são respeitados por você, evitando ao máximo qualquer tipo de atraso?

-  Sua forma de vestir e sua aparência, em geral, estão de acordo com as normas estabelecidas pela organização?

-  Você fica utilizando as facilidades da organização tais como telefone, Internet, computador, carro e outros similares para benefício próprio?

-  Sua opinião diverge de sua ação?

-  Promete retorno aos clientes que não se concretiza?

-  Frente a uma situação de crise ou conflito, fica no muro sem adotar uma postura firme?

-  Fica saindo do seu posto de trabalho com frequência, para ir ao banheiro, fumar, lanchar, relaxar, e assim por diante?

-  Não perde uma fofoca no seu ambiente de trabalho?

-  Trata seus colegas de hierarquia inferior com desprezo ou rispidamente?

-  Quando lhe é solicitado um esforço adicional, apresenta uma boa desculpa para safar-se?

-  Quando comete um erro coloca sempre as causas nos outros?

Se reconhece nas situações acima algum tipo de deslize que talvez possa estar cometendo, procure mudar. Quiçá, na próxima vez, sua avaliação seja melhor, e a sonhada promoção seja uma realidade.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

Relacionamento e convivência no trabalho

 Com frequência, aqueles profissionais que possuem as características próprias das pessoas predestinadas ao sucesso, são rotulados como arrogantes ou grosseiros por alguns gestores e até, pelos próprios colegas de trabalho. Embora existam pessoas que realmente mereçam vestir a carapuça, nem sempre isso é verdadeiro.

Essas pessoas, devido ao seu próprio desenvolvimento intelectual, não prestam atenção a pequenos detalhes de relacionamento, que terminam, no dia-a-dia, lhes prejudicando seriamente. Muitos deles, não percebem que algumas de suas atitudes provocam desconforto ou desagrado em outras pessoas, simplesmente porque essas atitudes são involuntárias, não mal intencionadas.

Um dos grandes desafios a serem vencidos, quando se procura o sucesso em uma carreira profissional, é o de conseguir que o relacionamento com os colegas de trabalho se desenvolva em harmonia e dentro de padrões de convivência regularmente aceitos por eles. Isso não significa ser “bonzinho” com todo mundo, ou aceitar as coisas erradas com um sorriso no rosto.

A verdadeira base de um relacionamento adequado, para obter uma convivência duradoura, está em cuidar de pequenos detalhes que colaboram para transformar esse convívio em uma coisa agradável e duradoura. Existem pessoas que conseguem se relacionar de forma harmoniosa com todos, mas para outras, essa relação é um pesadelo e cheio de grandes dificuldades, a serem superadas a cada instante.

Isso é um grave problema, pois a boa convivência é de fundamental importância para quem quer ser bem sucedido. Surge um questionamento importante:

É possível conviver bem com qualquer pessoa?

Nem sempre. Não obstante, se cuidarmos de alguns detalhes, essa tarefa pode ser infinitamente mais leve:

-  Não participe, nem seja fonte de fofocas relacionadas com as pessoas que formam parte do seu grupo de trabalho.

-  Saiba separar sua vida particular da profissional. Não conte seus segredos nem suas magoas particulares no ambiente de trabalho.

-  Não rotule nem julgue as pessoas, para evitar ser julgado e rotulado.

-  Esteja sempre disposto a ajudar as pessoas, não negando sua participação nem se omitindo.

-  Cumprimente as pessoas com carinho e respeito, sem por isso ultrapassar limites pessoais.

-  Não se preocupe com a vida alheia e cuide dos seus assuntos com o necessário sigilo e discrição, para evitar que os outros se preocupem com sua vida.

-  Sempre dê atenção às pessoas que lhe procuram, independentemente de serem agradáveis ou não, ou do cargo ou da hierarquia que possuem.

-  Viva sua vida, faça seu trabalho e deixe os outros viverem suas vidas e fazerem seus trabalhos.

-  Ajude as pessoas, sempre que lhe é solicitado.

-  Seja sempre um bom profissional, e não despreze aquelas pessoas que possuem menos conhecimento ou experiência que você.

É preciso ser muito cuidadoso e disciplinado para agir desta forma, porém certamente os resultados serão muito gratificantes e estarão colaborando para tornar seu ambiente de trabalho agradável e muito produtivo.

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

O poder da palavra

 A palavra, como elevada forma de expressar os pensamentos, tem a capacidade de tornar transparentes os sentimentos do ser humano e adotam a cor, o brilho e o sabor das emoções com as quais são proferidas.

Nos aparece encarnada na explosão da ira, celeste nas preces, rosa no canto maternal. Brilhante quando elogia, opaca-se numa calunia. Doce no afago, se azeda na crítica. Amorosa no abraço, sensual na expressão, libidinosa na resposta, assume o papel de mensageiro das emoções.

Possui afiadas bordas que provocam profundas feridas quando proferida de forma insensata, mas pode também, ser portadora do bálsamo delicado que cicatriza os cortes.

A palavra é arma e redenção, é ofensa e compreensão; é instrumento, objeto, recipiente e conteúdo. É poderosa. Marca, deixa rastros. O Ser encarna-se através da palavra, da mesma forma que o Poder e o Querer.

Sendo assim, tão valiosa e volúvel, todos os cuidados possíveis devem ser tomados antes de usá-la. Vale muito mais uma palavra silenciada na esperança de uma reconciliação, que uma torrente verbal avassaladora despejada com ódio no calor de uma disputa.

Esta reflexão sobre o valor da palavra vem de encontro com uma situação de extrema violência psicológica que tive oportunidade de conhecer de forma direta.

O dirigente responsável pela condução de uma instituição destinada à educação de crianças, pressionado pela necessidade de apresentar resultados aos seus superiores, tem realizado reuniões individuais com os professores, seus subordinados, nas quais, diretrizes destinadas a promover alterações de ordem administrativa são apresentadas de forma impositiva. O mérito da mudança não envolve o grau de competência dos educadores, mas sua disposição a ficarem reféns de mudanças de jornadas e horários estabelecidos de forma autocrática.

Críticas, questionamentos e insinuações, são disparados a esmo, sem medir suas consequências na estrutura emocional dos receptores. Não há diálogo, mas monólogo monocórdio, uniforme, inapelável. 

Até aqui, podemos afirmar que não nos cabe julgar se essas mudanças são adequadas ou não, pois cada gestor sabe, sem dúvida, onde o sapato aperta.

A nossa preocupação coloca seu foco na forma e estilo, com que são aplicadas suas palavras, usadas como mecanismo psicológico de desvalorização dos interlocutores, utilizando expressões de baixo nível, vulgares, as quais, ao serem colocadas nos questionamentos realizados, traduzem de forma grosseira o seu verdadeiro objetivo que, ao agir desta forma, pretende desqualificar seus colaboradores.

Uma instituição educacional é formada, na sua totalidade, por educadores em tempo integral. Desde o mais alto dirigente, que deve ser mestre, líder e modelo para seus professores e o corpo discente, até a mais singelo colaborador, que recolhe os papeis do chão, e que tem por obrigação ensinar às crianças a serem cuidadosas e educadas, evitando sujar os ambientes de convivência.

O relacionamento interpessoal deve ser pautado, sem exceções, pelo respeito à pessoa, aos seus sentimentos, e por sobre tudo aos seus direitos como membro de uma comunidade formada com profissionais de elevado nível e capacidade intelectual.

Em nenhuma hipótese, expressões vulgares devem ser colocadas como justificativas para questionamentos hipotéticos, pois as palavras erradas machucam, ofendem e depreciam, nas pessoas, seus valores morais.

Não será a falta de ética na relação, que facilitara a procura de uma solução compartilhada. A sinceridade, a compreensão e sobre todas as coisas o respeito por àqueles que, diariamente dedicam seus esforços para transformar em realidade os objetivos e metas traçadas, devem ser vetores de direção para qualquer diálogo.

Como resultado desta atitude, pode-se verificar a existência de um profundo estado de revolta e decepção da equipe. Uma sensação de menos-valia toma conta do espírito, desmotivando e promovendo a desagregação emocional, daqueles que, lutam e se esforçam em cumprir suas obrigações, muitas vezes a custos inimagináveis.

A palavra bem aplicada e usada se transforma em preciosa obra de arte, merecedora de admiração e respeito pelo ouvinte. Jamais deverá ser utilizada como aríete, para abalar a estrutura emocional daquele que está nos ouvindo.

Respeitar o ser humano, seus sentimentos, seus direitos, suas emoções não é favor, mas obrigação iniludível de todos nós.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

sábado, 14 de novembro de 2020

O poder dos outros

A semântica é muito interessante. Nos permite conhecer o “significado das palavras”. Procurei, curioso, o significado das palavras “outro” e “outros”.

Vejamos o que nos diz o Dicionário Aurélio[1], pinçando, apenas, os resultados que nos interessam:

Outro: O resto, o restante. (Expressão utilizada em geral, com referência a afirmações anônimas, ou proverbiais, ou cuja autoria não se deseja assumir). Desde o ponto de vista filosófico, ser “o outro” é possuir um atributo relativo a todos e cada um dos entes que não são “ele” próprio.

Outros: Qualquer ou quaisquer pessoas(s) indeterminada(s);

Ao referirmos ao outro ou aos outros, na realidade estamos querendo nos referir a todos aqueles que não somos “nós”. Não falamos de alguém em particular, com nome e endereço, mas de todos os seres humanos diferentes do “eu”. Falamos do ser genérico, àquele que é, que vive, que faz e participa, que compartilham e usufrui espaços e ambientes, que podem ser comuns ou não com os “meus espaços e ambientes”, porém que não são “eu”.

É o outro que suja, que rouba, que bebe, que maltrata. Que quebra as coisas e destrói a natureza. Que arranca as flores e joga lixo no chão. Que leva seus animais de estimação para sujar a grama, que joga papeis e bitucas de cigarros no chão, que suja o elevador. É o outro que é morto, simplesmente por ter uma religião diferente da nossa, ou a cor da pele mais escura. Que é segregado, maltratado e assassinado por amar de forma diversa à nossa. São os outros que, possuidores de uma força incomensurável são capazes de provocar todas as mazelas que um ser humano pode provocar, que nos aborrecem, nos provocam desgosto. Que possuem todos os defeitos morais imagináveis, que mancham nossa reputação, nos ofendendo e mentindo sobre “nós”.

Que força poderosa possuem os outros! Que capacidade destrutiva tem nas suas mãos! De que forma covarde nos agridem e ofendem, a cada instante! De que forma ladina e mal-intencionada nos roubam, arrebatam nossos sonhos, destroem nossas esperanças! É impossível ser feliz, viver em paz, construir nosso futuro, por culpa dos outros que interferem em nossos sonhos, derrubando as paredes que construímos com tanto esforço! Vivemos num verdadeiro inferno por culpa dos outros.

Somente há uma coisa que não podemos esquecer: Para os outros, o outro somos nós! 

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.



[1] Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 7.0 - © 5ª. Edição do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.