sábado, 21 de novembro de 2020

Pessoas tóxicas: O amigo (ou parente) autorreferente

 Não é difícil encontrar em nossa relação de amizades ou de familiares, pessoas que, ao relatarmos um determinado acontecimento, imediatamente passam a nos contar situações similares, supostamente vividas por eles. Ao descrevermos um acidente doméstico comum, (uma labareda provocada por um pingo de água numa frigideira), lembram um princípio de incêndio, acontecido na própria cozinha que, afortunadamente, foi debelado devido a rápida e valente intervenção de um familiar que arriscou tudo para conter o fogo. Se contamos sobre um determinado mal-estar sentido, imediatamente recebemos o relato de um outro mal-estar sentido por eles, com agravantes de consultas e tratamentos exclusivos e emergenciais realizados, e assim por diante.

São pessoas autorreferentes, portadoras de uma personalidade narcisista heliocêntrica. Puxam os acontecimentos para si, da mesma forma que o Sol atrai os planetas gravitacionalmente, obrigando-os a girar no seu entorno. Demonstram interesse pelo nosso relato, não por empatia ou solidariedade, mas para fundamentar e justificar o evento similar (ou frequentemente maior) acontecido com eles. Podemos identificar um padrão de grandiosidade invasiva nas suas atitudes, uma necessidade explícita de admiração e reconhecimento. Frequentemente, os acontecimentos por eles relatados são revestidos de fantasias, situações irreais que potencializam os efeitos. Apresentam uma verdadeira sensibilidade exacerbada pela necessidade de reconhecimento, pelo outro, da autoria dos fatos. Sentem-se protagonistas permanentes, nunca espectadores atentos e solidários. Requerem nossa atenção, mostram-se autossuficientes, esperam tratamento especial, diferencial. São arrogantes e apresentam um comportamento autorreferente. As relações interpessoais são severamente comprometidas pela desconfiança resultante sobre a veracidade dos fatos relatados, da existência de uma necessidade explícita e permanente de admiração e pela falta de reconhecimento aos sentimentos e sensibilidade emocional das outras pessoas. Frequentemente a inveja se faz presente, acompanhada de uma necessidade de ser percebido como superior, embora não apresente evidências de realizações ou talentos especialmente destacáveis.

Esses amigos (ou parentes) são pessoas venenosas, provocam desconforto, mal-estar.

Acabam com o prazer de um relacionamento harmonioso e sincero, contaminando o ambiente com suas atitudes egocêntricas.

Nada agregam à nossa vida, a não ser desconfiança e receio de estar sendo enganados.

Por esse motivo, devemos evitar esse tipo de relação. Não haverá frutos saborosos resultantes dela. Somente desconforto e sabor azedo na boca.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

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