Não é difícil encontrar em nossa relação de amizades ou de familiares, pessoas que, ao relatarmos um determinado acontecimento, imediatamente passam a nos contar situações similares, supostamente vividas por eles. Ao descrevermos um acidente doméstico comum, (uma labareda provocada por um pingo de água numa frigideira), lembram um princípio de incêndio, acontecido na própria cozinha que, afortunadamente, foi debelado devido a rápida e valente intervenção de um familiar que arriscou tudo para conter o fogo. Se contamos sobre um determinado mal-estar sentido, imediatamente recebemos o relato de um outro mal-estar sentido por eles, com agravantes de consultas e tratamentos exclusivos e emergenciais realizados, e assim por diante.
São pessoas autorreferentes, portadoras de uma
personalidade narcisista heliocêntrica. Puxam os acontecimentos para si, da
mesma forma que o Sol atrai os planetas gravitacionalmente, obrigando-os a
girar no seu entorno. Demonstram interesse pelo nosso relato, não por empatia
ou solidariedade, mas para fundamentar e justificar o evento similar (ou frequentemente
maior) acontecido com eles. Podemos identificar um padrão de grandiosidade invasiva
nas suas atitudes, uma necessidade explícita de admiração e reconhecimento. Frequentemente,
os acontecimentos por eles relatados são revestidos de fantasias, situações
irreais que potencializam os efeitos. Apresentam uma verdadeira sensibilidade exacerbada
pela necessidade de reconhecimento, pelo outro, da autoria dos fatos. Sentem-se
protagonistas permanentes, nunca espectadores atentos e solidários. Requerem nossa
atenção, mostram-se autossuficientes, esperam tratamento especial, diferencial.
São arrogantes e apresentam um comportamento autorreferente. As relações interpessoais
são severamente comprometidas pela desconfiança resultante sobre a veracidade
dos fatos relatados, da existência de uma necessidade explícita e permanente de
admiração e pela falta de reconhecimento aos sentimentos e sensibilidade
emocional das outras pessoas. Frequentemente a inveja se faz presente,
acompanhada de uma necessidade de ser percebido como superior, embora não apresente
evidências de realizações ou talentos especialmente destacáveis.
Esses amigos (ou parentes) são pessoas venenosas,
provocam desconforto, mal-estar.
Acabam com o prazer de um relacionamento
harmonioso e sincero, contaminando o ambiente com suas atitudes egocêntricas.
Nada agregam à nossa vida, a não ser
desconfiança e receio de estar sendo enganados.
Por esse motivo, devemos evitar esse tipo de relação.
Não haverá frutos saborosos resultantes dela. Somente desconforto e sabor azedo
na boca.
Você pode concordar ou
não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.
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