terça-feira, 10 de novembro de 2020

Envolvimento ou comprometimento?

 

Quando numa organização é lançado um desafio, ou se faz necessário enfrentar uma situação atípica, sempre surge uma diversidade de pessoas dispostas a colaborar para o sucesso da empreitada.

Cada uma a sua forma e com seu próprio estilo. Aparecem aqueles muito envolvidos e outros que nem tanto. Mas também existem os realmente comprometidos com os resultados, que lutam, se esforçam e arrancam leite de pedra, para corresponder com as expectativas. Isso me faz pensar na história da feijoada na fazenda do interior do Ceará. Vale a pena ler.

 Numa fazendinha, no interior do Ceará, os bichos comentavam com muita animação as últimas notícias. Parece que haveria uma grande festa para comemorar o aniversário do proprietário, seu Titonho. Nessa festa, seria oferecida uma feijoada daquelas, para ninguém botar defeitos. Com tudo o que tem direito. O alvoroço era total, todos os bichos queriam participar, pois gostavam muito do seu Titonho.

Robério, o galo de raça, sacudindo suas penas e rebolando a crista, subiu até a parte mais alta do poleiro e começou a cantar como nunca o tinha feito na vida. Era Co... Co...Cooooooo para todos os lados.

Por sua vez, as galinhas, que eram mais de 50, se juntaram e ciscando para aqui, ciscando para lá, acertaram que a melhor forma de colaborar era dobrando a produção de ovos. E lá se foram direto para os ninhos. Foi uma chuva de ovos. Todo mundo se esforçando para fazer o melhor: botar ovos e mais ovos.

Somente uma coisa parecia que estava errada. Sentado num canto da parede, com a cabeça baixa e os olhos melancolicamente úmidos, estava Romão, o porquinho.

Catarina, a galinha mãe, se aproximou e perguntou:

- Mas Romão. O que você tem? Todos os animais estão muito felizes com a proximidade da festa, alegres, colaborando, dando o melhor de si, e tu estás ali, triste, deprimido.

Romão, com voz triste respondeu uma pergunta com outra pergunta:

- Me diga uma coisa, Catarina. Existe algum motivo para estar alegre?

- Pois claro – respondeu a penosa. A festa de aniversário!

- Qual será o prato principal? – perguntou Romão, suspirando.

- Feijoada!

- Pois é, Catarina. Feijoada é feita com costelinha de porco, orelha de porco, mocotó de porco...

- Meu santo ovo de páscoa! Respondeu Catarina... estou entendendo.

- Pois é. Para essa feijoada dar certo, é necessário que eu forneça todos esses ingredientes.

Esta história nos permite visualizar claramente a diferença entre envolvimento e comprometimento.

Os animais estavam, na realidade, altamente envolvidos na preparação da festa.

Robério, no poleiro cantando de galo, na sua, fazendo alarde e se mostrando para todos. As galinhas, mostrando seu envolvimento, multiplicando a produção de ovos, que pouco tem a ver com preparar uma feijoada.

Já o Romão, esse sim estava comprometido. Para que a feijoada pudesse ter sucesso, ele deveria dar tudo de si, que nesta história é a própria vida.

Nas organizações é muito comum nos depararmos com esta situação. Frente aos desafios encontramos aqueles que ficam alardeando, cantando de galo, lá em cima do poleiro, “mostrando serviço”. Outros ficam “fazendo sua parte”, botando ovos aos montes, sem perceber que esse esforço a nada conduz, pois não é de “ovos” que a organização está precisando nesse momento.

Finalmente existem aqueles que, como o Romão, são realmente comprometidos com os resultados. Que dão tudo de si para o sucesso do empreendimento. Que lutam para que os resultados apareçam, sem se importar com preço que devem pagar.

Essa é a diferença entre o envolvimento, superficial e aparente e o comprometimento, real e profundo.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.

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