terça-feira, 10 de novembro de 2020

Executivo Cenoura, ovo ou café?

 

Durante uma reunião numa grande empresa na qual, durante muitos anos, prestei serviços de consultoria, fiquei surpreso com as lamúrias de um executivo da área comercial, queixando-se do alto grau de dificuldade que estava enfrentando por conta da forte concorrência que se apresentava mais e mais agressiva a cada dia.

Chegou a dizer que estava a ponto de jogar a toalha, pois não tinha mais paciência, estava cansado de lutar. Cada vez que conseguia resolver um problema, outro surgia, como por encanto, complicando cada vez mais as coisas.

Essa atitude, negativa e preocupante, particularmente por vir de um executivo que deve estar preparado para enfrentar desafios, me fez lembrar uma história[1], que se ajusta perfeitamente a esta situação, e que relatei para ele:

 

Uma filha se queixou a seu pai sobre sua vida atribulada e de como as coisas estavam difíceis para ela. Já não sabia mais o que fazer para continuar e queria desistir. Estava cansada de combater, diariamente, resolvendo um problema atrás do outro.

Seu pai, que gostava muito de cozinhar a levou até a cozinha e pediu para observar o que aconteceria a seguir. Na sua frente encheu três pequenas panelas de água, e colocou na primeira várias cenouras, na segunda, três ovos e, na última, uma grande colher de pó de café.

Sentou-se calmamente com a filha a seu lado e aguardou durante alguns minutos até que tudo fervesse. A filha, impaciente, exalou um suspiro e esperou, querendo imaginar o que ele estaria fazendo, ou querendo demonstrar.

Ao observar as panelas com água já fervente, ele apagou o gás. Pegou as cenouras e as colocou numa tigela, a seguir retirou os ovos e os colocou em outra tigela e finalmente pegou um pouco do café com uma concha e encheu uma xícara.

Virando-se para a filha perguntou sobre o que ela estava vendo. A filha, intrigada, respondeu: cenouras, ovos e café.

Ele as trouxe para mais perto e pediu para experimentar as cenouras. Ela obedeceu e observou que estavam macias. Ele, então, pediu que pegasse um ovo e o quebrasse. Ela assim o fez e depois de retirar a casca verificou que o ovo tinha endurecido com a fervura. Finalmente, ele lhe pediu que tomasse um gole de café. Ela sorriu ao provar e sentir seu delicioso aroma.

Curiosa, perguntou: O que significa isto, pai? Ele, calmamente, explicou que cada elemento havia enfrentado a mesma adversidade, água fervendo, mas que cada um reagira de maneira muito diferente.

A cenoura entrara na água forte, firme, inflexível, mas depois de ter sido submetida à água fervendo amolecera e se tornara frágil.

Os ovos eram frágeis, sua casca fina havia protegido o líquido interior, mas depois de terem sido fervidos na água, seu interior se tornara mais rijo.

O pó de café, contudo, era incomparável; depois que fora colocado na água, ao ferver, teve a capacidade de mudar a própria água.

Ele perguntou à filha:

- Qual deles é você, minha querida? Quando a adversidade bate à sua porta, como você responde? Você é como a cenoura que parece forte, mas com a dor e a adversidade murcha, torna-se frágil e perde sua força? Ou será que você é como o ovo, que começa com o coração maleável, mas depois de alguma perda ou decepção se torna mais duro, apesar de que a casca permanece a mesma? Ou você é como o pó de café, capaz de transformar a adversidade em algo melhor ainda do que ele próprio?

Nós somos os únicos responsáveis pelas próprias decisões. Cabe a nós, somente a nós, decidir se a crise irá ou não afetar nosso rendimento profissional, nossos relacionamentos pessoais, nossa vida. Ao ouvir outras pessoas reclamando da situação, ofereça sempre uma palavra positiva. Mas você precisa acreditar nisso. Confiar que você tem capacidades suficientes para superar os desafios.

Lembre toda vez que estiver na frente de uma xícara de café:

 

“Nossa vida carece de sentido se não tivermos a capacidade de mudar as circunstâncias adversas que devemos enfrentar a cada dia”.

 

Você pode concordar ou não, porém essa é minha opinião, aqui, somente entre nós.



[1] O autor desta história, lamentavelmente, não é de nosso conhecimento.

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